A endometriose afeta a fertilidade feminina?

A endometriose afeta a fertilidade feminina?

A endometriose é uma doença que afeta a qualidade de vida de muitas mulheres, causando sintomas muito incômodos e consequências preocupantes, como a infertilidade.

A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina, além de ser um problema que atinge um grande número de mulheres.

Se você não tem conhecimento sobre a doença e sua relação com a fertilidade, este conteúdo vai te ajudar!

A endometriose

A endometriose é caracterizada pela presença do tecido endometrial fora da cavidade uterina. O endométrio é um tecido que reveste a camada interna do útero. É ali onde o embrião se fixa para que se inicie uma gestação e, por isso, este órgão é tão importante quando se fala sobre fertilidade feminina.

A cada ciclo menstrual o endométrio se torna mais espesso para que a fixação do embrião possa ocorrer. Caso isso não aconteça, ele começa a descamar e é eliminado pelo corpo na menstruação.

Ainda não se sabe a causa exata da endometriose, mas a teoria mais aceita é a “menstruação reversa”, que diz que parte do tecido endometrial que deveria ser eliminado na menstruação retorna, se fixa e se desenvolve em órgãos como os ovários, as tubas uterinas e outros. Isso provoca um processo inflamatório e pode causar diversos sintomas.

A endometriose atinge cerca de 15% das mulheres de todas as idades durante a vida fértil, e cerca de 5% na pós-menopausa, segundo estudos. Porém, por ser uma doença de difícil diagnóstico, geralmente leva-se alguns anos para identificá-la.

Alguns fatores de risco são menstruação precoce, ciclos menstruais muito curtos ou muito longos, nunca ter tido filhos ou ter tido o primeiro após os 30 anos, alterações hormonais, alcoolismo e outros.

Entre os principais sintomas da doença estão cólicas muito intensas, ciclos menstruais desregulados, dores durante as relações sexuais, alterações intestinais, entre outros. Os sintomas e as características da endometriose podem variar de acordo com o tipo e o grau da doença.

Os tipos de endometriose

Existem três tipos de endometriose: peritoneal superficial, ovariana (endometriomas) e infiltrativa profunda.

A endometriose peritoneal superficial caracteriza-se por lesões pequenas e superficiais, com menos de 5mm de profundidade, localizadas no peritônio, que é a membrana que reveste o abdômen e os órgãos digestivos. É o tipo menos grave da doença, podendo se apresentar nos graus mínimo ou leve.

A endometriose ovariana, também conhecida como endometrioma, caracteriza-se pela presença do tecido endometrial na superfície dos ovários. As lesões podem ter tamanhos variados. Este tipo da doença é considerado de grau moderado, mas pode se tornar grave e, por isso, o tratamento é fundamental. Além disso, o endometrioma está diretamente relacionado à infertilidade.

Por fim, a endometriose infiltrativa profunda é um tipo grave da doença, caracterizado pela presença de lesões profundas, com mais de 5 mm, também no peritônio.

Endometriose e infertilidade

A infertilidade é uma preocupação comum das mulheres diagnosticadas com endometriose. Muitos diagnósticos, inclusive, se dão após algumas tentativas mal sucedidas de gravidez. Um estudo feito pelo Hospital das Clínicas da USP, com 892 mulheres com endometriose, identificou que quase 40% das pacientes também foram diagnosticadas com infertilidade.

Uma das relações entre endometriose e infertilidade são as alterações anatômicas causadas pela doença no sistema reprodutor feminino, impedindo que a fecundação aconteça ou que o embrião se fixe no endométrio.

As mulheres com endometriomas devem se preocupar ainda mais com a infertilidade, já que este tipo de endometriose está diretamente relacionado à queda da reserva ovariana. Os endometriomas são lesões graves nos ovários, que afetam negativamente este órgão, diminuindo consideravelmente não só a quantidade de óvulos, mas também a qualidade deles.

Até mesmo o tratamento cirúrgico pode ser prejudicial para a fertilidade feminina, já que a retirada do ovário se faz necessária.

Tratamentos e reprodução assistida

O tratamento para endometriose vai variar de acordo com o tipo e o grau da doença. Nos casos mais simples, é possível apenas conter a doença e amenizar os sintomas evitando a menstruação, com o uso de anticoncepcionais sem pausa ou outros medicamentos hormonais.

Em outros casos, é necessário fazer uma cirurgia de videolaparoscopia para retirar as lesões. Antes de definir o tratamento ideal, é necessário diagnosticar a doença e sua gravidade, além de identificar onde as lesões estão localizadas.

Após o tratamento, a maioria das mulheres consegue engravidar de forma natural. Quando isso não acontece, as técnicas de reprodução assistida e técnicas complementares podem ser grandes aliadas. Nos casos mais superficiais, a inseminação intrauterina com indução da ovulação pode oferecer bons resultados.

Nos casos mais graves, principalmente quando há alterações nos órgãos, bloqueio nas trompas, endometriomas ou lesões muito profundas, a técnica mais indicada é a fertilização in vitro, na qual a fecundação acontece em laboratório e o embrião é implantado diretamente no útero.

Para as mulheres que não pretendem engravidar, quando os tratamentos menos invasivos não funcionam, uma alternativa é a cirurgia de histerectomia — a retirada total ou parcial do útero.

Independente da sua situação, se pretende ou não engravidar, após qualquer suspeita da doença é imprescindível procurar um médico para realizar exames e diagnosticar a doença. Quanto antes isso acontecer, maiores são as chances de cura com tratamentos menos invasivos.

Para entender mais sobre as principais características da doença, tipos, sintomas e tratamentos, leia o conteúdo completo sobre endometriose aqui no site.

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