Aborto de repetição: como enfrentar?

Aborto de repetição: como enfrentar?

O aborto é definido como a perda gestacional antes de a viabilidade do feto haver sido adquirida. A ocorrência desse frustrante evento traz muito pesar e frustração àqueles que desejam ser pais, principalmente em casos de aborto de repetição.

Algumas mulheres apresentam dificuldade em engravidar, contratempo que pode ser causado por fatores diversos. O problema pode estar ligado à dificuldade de concepção ou, caso essa ocorra, a implantação embrionária ou o desenvolvimento da gestação podem também se apresentar como problemas.

As sucessivas falhas de implantação embrionária ou as dificuldades no desenvolvimento da gestação podem causar o aborto de repetição. Essa situação representa um forte desgaste emocional na vida da mulher, podendo ser configurada como um fator de infertilidade.

A condição de aborto de repetição é complexa. Leia o texto para saber mais sobre o assunto.

O que caracteriza um aborto/aborto de repetição?

O aborto espontâneo, que ocorre em aproximadamente 10% das gestações, é definido como a perda fetal que ocorra antes de 22 semanas de gestação ou como a perda de fetos com peso inferior a 500 gramas.

No entanto, quando esse aborto ocorre de forma recorrente, com a história reprodutiva de três ou mais abortos espontâneos sucessivos, configura-se como um aborto de repetição. Esse termo também é utilizado quando ocorrem dois abortos sucessivos em pacientes cuja idade é superior a 35 anos.

A frequência dos abortos de repetição é estimada em cerca de 0,3% a 0,8% de todas as gestações, fator que se configura como um risco para a fertilidade feminina.

Por que ele ocorre?

Os abortamentos podem ocorrer por fatores variados, sendo resultado de anormalidades cromossômicas, uterinas ou genéticas. Eles também podem estar associados a alterações do sistema imunológico, bem como alterações hormonais. Algumas doenças crônicas também podem causar o aborto.

O aborto de repetição também pode ser causado pelos mesmos fatores, bem como por defeitos anatômicos na região do útero, o que pode impedir que a implantação embrionária ocorra com sucesso. Cerca de 15% a 27% dos casos de aborto de repetição ocorrem por alterações no útero.

Fatores ambientais e hábitos da rotina também podem ter influência no aborto. O consumo de álcool, tabaco e drogas, por exemplo, também estão associados ao aborto de repetição devido ao seu impacto negativo na gravidez.

Mulheres constantemente expostas a produtos químicos ou trabalhos exaustivos podem aumentar o risco de sofrerem aborto espontâneo.

Infecções que acometam o trato genital também se configuram como problemas que podem levar ao aborto.

Como investigar?

A investigação e diagnóstico do aborto de repetição passa pela realização de diversos exames que visam determinar suas causas.

A paciente deve ser submetida a um exame físico que visa detectar possíveis alterações ou deformações uterinas. Esses aspectos também podem ser observados na ficha de anamnese da paciente, na qual consta o histórico obstétrico.

O médico pode realizar um mapeamento cromossômico que visa verificar possíveis alterações cromossômicas tanto na mulher quanto no homem. As células que são utilizadas para esse exame podem ser recolhidas por meio do exame de sangue ou do líquido amniótico.

Pode-se avaliar a etiologia uterina por meio de exames como a histerossalpingografia ou histeroscopia. Esses exames são importantes por permitirem uma visualização detalhada da cavidade uterina, o que possibilita detectar alterações que possam causar o aborto de repetição.

A ultrassonografia transvaginal também permite avaliar a cavidade uterina com detalhes, verificando a presença de possíveis miomas ou alterações que possam causar o aborto de repetição.

Condutas possíveis

O tratamento para o aborto de repetição depende do diagnóstico de suas causas, de modo que cada causa tenha um tratamento específico.

Algumas causas podem ser tratadas por meio da administração de medicamentos, caso de algumas doenças, como a trombofilia, que necessita de medicamentos anticoagulantes.

Outras causas podem exigir tratamento cirúrgico, principalmente em casos de alterações uterinas. O tratamento nesse caso é a histeroscopia cirúrgica.

É importante que a paciente que sofra aborto de repetição realize acompanhamento médico após o tratamento caso manifeste o desejo de engravidar. Esse acompanhamento é essencial para definir a possibilidade de que a paciente engravide naturalmente ou determinar a necessidade da realização de um tratamento por meio das técnicas de reprodução assistida.

A reprodução assistida em casos de aborto de repetição

É importante ressaltar que algumas causas de aborto de repetição podem fazer com que ele ocorra mesmo no contexto das técnicas de reprodução assistida. Nesses casos, faz-se necessária a realização do tratamento dessas causas antes que a técnica de reprodução assistida seja iniciada.

O método mais indicado para pacientes que sofrem de aborto de repetição é a FIV (fertilização in vitro). A possibilidade de acompanhamento de cada etapa pré e pós-concepção, bem como a possibilidade de realizar técnicas complementares que visam solucionar problemas específicos, faz com que essa técnica apresente as maiores taxas de sucesso de gravidez.

O médico deve realizar uma avaliação da paciente a fim de verificar a possibilidade de realização da técnica.

O aborto de repetição pode ser motivo de tristeza e frustração para casais que desejam engravidar. Seu tratamento depende do diagnóstico das causas. Informe-se mais sobre esse tema em nosso artigo.

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