Azoospermia

Um dos fatores de infertilidade masculina, a azoospermia é caracterizada pela ausência de espermatozoides no fluido seminal. Pode ser obstrutiva, quando um bloqueio impede que o espermatozoide seja transportado pelo líquido seminal, ou não obstrutiva, em que há distúrbios na produção de espermatozoides pelos testículos.

Provocada por diferentes causas, desde genéticas a anormalidades anatômicas, tratamentos médicos, fatores ambientais ou mesmo estilo de vida, o principal sinal que indica a possibilidade de azoospermia é a tentativa malsucedida para engravidar, embora outros sintomas relacionados à infertilidade masculina também possam sugerir o problema.

Este texto aborda as principais características da azoospermia, dos sintomas que indicam a necessidade de procurar um especialista, ao diagnóstico, tratamento e fatores de risco.

Quais são as causas da azoospermia?

Diversas causas podem impedir a produção de espermatozoides pelos testículos ou a saída deles pelo sêmen ejaculado. A herança genética, caracterizada por defeitos nos cromossomos, afeta o número, a forma e o tamanho dos espermatozoides e está presente em um percentual significativo dos homens portadores.

Os três tipos de azoospermia, classificados como obstrutiva e não obstrutiva, podem ser provocados por diferentes fatores:

Azoospermia pré-testicular (não obstrutiva)

Na azoospermia pré-testicular, os testículos são normais, mas não produzem espermatozoides. O problema é causado por uma deficiência na produção de hormônios sexuais, estimulado por condições genéticas como a Síndrome de Kallmann: transtorno transmitido pelo cromossomo X em que há baixos níveis do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) e perda do olfato. O GnRH estimula a glândula pituitária a secretar hormônios sexuais.

Transtornos do hipotálamo e da glândula pituitária podem, ainda, ser causados ​​por medicamentos utilizados para o tratamento de neoplasias. Esse tipo de azoospermia, entretanto, é bastante raro.

Azoospermia testicular (não obstrutiva)

Danos nos testículos também podem comprometer a produção normal de espermatozoides. São ocasionados por diferentes condições, entre elas infecções no trato reprodutivo, incluindo epididimite e uretrite, doenças, como a caxumba, lesões na virilha, neoplasias e seus tratamentos, diabetes, cirrose ou insuficiência renal, cirurgias, condições genéticas e varicocele, dilatação das veias do cordão que sustenta os testículos.

Azoospermia pós-testicular (obstrutiva)

Caracterizada por problemas na ejaculação ou obstruções no trato reprodutivo que impedem o transporte do espermatozoide pelo líquido seminal, a azoospermia obstrutiva é o tipo mais comumente registrado em homens com a doença.

Pode ser provocada por uma obstrução ou ausência de conexão no epidídimo – ducto que coleta e armazena os espermatozoides produzidos –, no ducto deferente ou em outro local do sistema reprodutivo; pela ejaculação retrógada, quando o sêmen entra na bexiga em vez de sair pelo pênis durante um orgasmo; pelo crescimento de cistos; ou em virtude da realização de vasectomia.

Outros fatores também contribuem para a ausência de espermatozoides ou para diminuir a produção. Eles incluem:

Quais são os sintomas provocados pela azoospermia?

Além da dificuldade para engravidar, sintomas associados à infertilidade masculina também alertam para o problema:

Como diagnosticar a azoospermia?

Para determinar a etiologia e o tratamento mais adequado, uma investigação criteriosa do paciente é necessária.

O primeiro procedimento para diagnosticar a azoospermia é o exame físico, que irá verificar se há alterações no tamanho e na forma dos testículos que possam revelar a presença da doença. O histórico do paciente também deverá ser avaliado.

Posteriormente deverão ser analisadas duas amostras de sêmen. A azoospermia é constatada se não houver presença de espermatozoides em nenhuma delas.

Para confirmar o diagnóstico, outros exames também poderão ser solicitados:

Tratamentos indicados para a azoospermia

O objetivo principal do tratamento é recuperar a capacidade de fecundação. Nos casos de azoospermia obstrutiva, a reconstrução ou reconexão de ductos obstruídos ou desconectados pode ser realizada por meio de microcirurgias.

Já os tratamentos hormonais são indicados quando o problema é a baixa produção de hormônios.

Se o tratamento não for eficaz, os espermatozoides poderão ser coletados diretamente nos testículos ou epidídimo, por meio de diferentes técnicas cirúrgicas, para serem utilizados no tratamento por FIV (fertilização in vitro) com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides).

TESE e Micro-TESE são técnicas para realizar o procedimento em homens com azoospermia não obstrutiva, ou seja, que não produzem ou têm baixa produção de espermatozoides. Já as técnicas PESA e MESA são indicadas em casos de azoospermia obstrutiva.

Os espermatozoides extraídos podem ser utilizados a fresco ou congelados para procedimentos futuros. As taxas para uma gravidez bem-sucedida variam de acordo com o tipo de azoospermia e o histórico do paciente, embora o percentual de sucesso registrado por diferentes estudos aponte para uma média bastante expressiva.

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