Barriga de aluguel

Barriga de aluguel é o termo utilizado popularmente para definir a técnica em que a mulher recebe embriões transferidos para gerar uma criança por pedido de outro casal, que será considerado o responsável legal pela criança.

Uma das técnicas complementares à FIV (fertilização in vitro), a barriga de aluguel tem como denominação oficial cessão temporária de útero ou útero de substituição. No Brasil, inclusive, a utilização do termo popular é considerada inadequada, uma vez que ele sugere uma relação comercial, não permitida no país.

Apesar de ser geralmente adotada por casais que não podem engravidar, o Conselho Federal de Medicina, órgão que regulamenta as regras da reprodução assistida, ampliou a possibilidade de utilização da técnica por pessoas solteiras que desejam ter filhos, independentemente de terem ou não problemas de fertilidade.

As mulheres que não podem engravidar e optam pela cessão temporária de útero precisam recorrer a alguma familiar até 4º grau para realizar a técnicas: primeiro grau – mãe/filha; segundo grau – avó/irmã; terceiro grau – tia/sobrinha; quarto grau – prima.

Este texto explica o funcionamento da barriga de aluguel, destacando as técnicas utilizadas para realizar o procedimento e quando ele é indicado.

Quando a barriga de aluguel é indicada?

A barriga de aluguel é indicada em diferentes situações médicas e sociais: desde a ausência de útero em mulheres submetidas à retirada do órgão por histerectomia a mulheres que querem adiar os planos de gestação. Elas incluem:

Como o procedimento é realizado?

Na barriga de aluguel, a criança não é biologicamente relacionada à mãe substituta, que funciona apenas como portadora gestacional. O embrião é formado com a utilização de óvulos e espermatozoides dos pais ou de doadores, em um ciclo de FIV (fertilização in vitro) e transferido posteriormente para o útero da mãe de substituição.

Na maioria dos casos, pelo menos um dos pais é geneticamente relacionado à criança. Quando há doação de gametas, entretanto, as regras nacionais proíbem, ao mesmo tempo, a relação comercial e determinam que a idade limite para a doação é de 35 anos para a mulher e de 50 anos para o homem. O número de embriões transferidos também não poderá ser superior a quatro:

  1. a) mulheres até 35 anos: até 2 embriões;
  2. b) mulheres entre 36 e 39 anos: até 3 embriões;
  3. c) mulheres com 40 anos ou mais: até 4 embriões.

Importante destacar que a idade considerada é a da mulher que produziu os óvulos.

O relatório médico com o perfil psicológico, atestando adequação clínica e emocional de todos os envolvidos, é ainda necessário.

Além disso, o casal que está se submetendo à técnica de reprodução assistida deverá se comprometer com o tratamento e acompanhamento médico, inclusive por equipes multidisciplinares, se necessário, à mãe que cederá temporariamente o útero, até o puerpério (pós-gestação).

Antes de iniciar o procedimento, todos os envolvidos deverão passar por avaliações, inclusive psicológicas, e a mulher que está cedendo o útero, por exame físico e laboratorial, para avaliar a saúde do aparelho reprodutor.

Depois que o casal e a mulher que cederá o útero foram avaliados, tem início a FIV, realizada de modo geral com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide).

A FIV com ICSI é um tratamento que oferece altos índices de sucesso. Permite a coleta de espermatozoides em locais como o líquido seminal, epidídimo (ducto responsável por transportar e nutrir os espermatozoides até que sejam ejaculados) ou por biópsia testicular, caso o homem não tenha boa qualidade seminal e quantidade suficiente de espermatozoides.

Os melhores embriões são selecionados antes de serem transferidos para o útero de substituição.

As taxas de sucesso nas gestações por útero de substituição dependem de diferentes fatores:

Taxas de sucesso

As taxas de sucesso da cessão temporária de útero são semelhantes às da FIV, cerca de 40%, uma vez que o procedimento é semelhante.

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