Sou muito grata ao meu dream team, ele foi literalmente o time dos sonhos!

by Anahí Souza

 

Ninguém consegue nada sozinho! Sempre ouço que o parto é da mulher, que a mulher pode, que a mulher consegue... lamento, mas discordo. O que acredito é que uma mulher empoderada por uma rede de apoio e uma equipe competente, essa sim consegue o que quiser.

Creio nisso porque vivi essa diferença nos meus dois partos. Impossível dimensionar a experiência do parto do Heitor sem falar do parto do Jorge. No primeiro, eu realizava meu sonho da maternidade sem saber muito bem o que esperava, tinha a pretensão de achar que sabia o suficiente e estava preparada para o que viria. Quanto engano.

O que aconteceu foi que nesse contexto, meu corpo não entendeu o processo por uma série de condutas "técnicas" e pessoais que não colaboraram para o início de um trabalho de parto ativo, meu sonho não aconteceu e eu me senti fracassada de cara no primeiro "símbolo da maternidade", o parto. Saí com meu filho nos braços, lindo, saudável... com um corte indesejado na barriga e a sensação de fracasso e frustrações no coração. 

 

Esse ano engravidei novamente e pensei: dessa vez vai ser diferente! E foi. Eu já estava mais certa do meu sonho, do porque queria e como queria e sabia que para alcançar isso precisaria ter uma equipe que me amparasse, porque como disse no começo, a gente não consegue nada sozinho.

Fui em busca dessa equipe e encontrei um dream team, anjos que dividiram momentos tão especiais comigo. O primeiro já estava ao meu lado, foi meu marido. Ele fez toda a diferença na história, sonhou comigo, entendeu minha história, meus traumas e foi essencial para me ajudar a superá-los. Foi a mão que eu apertei na hora da dor e na hora da vitória. Foi o braço que me amparou quando eu fraquejei. Foi a serenidade que eu precisava para chegar lá.

O segundo foi a nossa fisioterapeuta obstétrica Carol Bertelli, ela com seu jeito manso e objetivo de falar me conquistou logo de cara. Aos poucos, a cada sexta-feira, dia dos nossos atendimentos veio a admiração pela forma que falava do seu dia a dia com as suas "gravidíssimas" (forma que carinhosamente nos chama), como explicava o porquê de cada exercício, como nos dava dicas, conselhos e alertas sobre cada próximo passo, sobre cada nova etapa que íamos viver. Com a Carol fui perdendo o medo, ganhando confiança em mim e no meu corpo, aprendi um pouquinho a cada sessão a curtir o processo, mirando no objetivo mas sem perder o foco no momento, no agora. Isso foi fundamental no final.


Por fim, o terceiro anjo foi ela, que trouxe o meu presente precioso ao mundo. A Dra. Taciana fechou o meu time dos sonhos, com a fala doce e tranquila, sempre acalmava minhas neuras da experiência passada, fazia tudo parecer simples, fácil e natural. Assim como a Carol a cada consulta me acolhia, me preparava e me dava a certeza que eu ia alcançar meu sonho que agora tinha muito mais forma, mais consistência e até nome, diferente da primeira vez eu não queria mais um parto normal e sim um parto humanizado! 

Foi com esse time que dividi a notícia que a bolsa tinha rompido no sábado 21/10/17 por voltas das 17h30. Somente isso, sem dor, sem as famosas e, para mim tão desconhecidas, contrações. Foi aí que a Dra. Taciana com a maior calma do mundo segurou na minha mão e me ajudou a superar a primeira das sombras que eu carregava do parto anterior, que a bolsa rota não era sentença de cesariana. Ela pediu para eu descansar, me alimentar e tentar dormir. Foi o que eu fiz. As horas foram passando e nada acontecia e eu, ansiosa por natureza, consegui me manter calma e serena. Chegamos no domingo seguindo vida normal e nada dos demais sinais de parto. Assim foi até a hora do almoço quando começaram umas cólicas, semelhante a cólicas menstruais e eu pensei: tá começando a acontecer!!!

Bem lentamente, como quem não sabe muito o que fazer meu corpo foi acordando para o que estava acontecendo. As dores foram se intensificando, mas nada de ritmo, e eu? Ainda calma, nem eu mesma acreditava que estava tão calma. No fim da tarde percebemos que as contrações estavam mais ritmadas mas ainda variando de 4 a 7 minutos. Dra Taciana disse que pelo tempo de bolsa rota já estava chegando a hora de ir ao hospital. Foi o "presta atenção" que meu corpo precisava. As contrações se ritmaram mais ainda, o intervalo diminuiu e ganhamos mais algumas horinhas para esperar a mágica acontecer.

Aí entrou a Carol que chegou aqui em casa na maior disposição e astral, com exercícios que me tiravam o fôlego e que fizeram as contrações galopar em ritmo e intensidade. Tempos depois, um banho quente para tentar abrandar a dor e fomos para o hospital. A essa altura eu estava em um misto de euforia, muita dor, calma, muita dor, medo, muita dor, alegria, muita dor... Chegamos na Maternidade Brasília e a covardia bateu com força. Já não me sentia tão capaz, as dores estavam muito intensas e próximas, eu estava chorando, o medo de não conseguir tomou conta e foi quando surgiu no corredor a Dra. Taciana toda sorridente e tranquila dizendo que íamos conseguir, que eu estava muito perto do meu sonho.

Na sequência veio o primeiro baque, só 3cm de dilatação. Perdi o chão. Pela dor achei que estava com 20cm de dilatação(hehe)! Brincadeiras a parte, foi aí que pela primeira vez desisti. Desesperei e graças a Deus encontrei a serenidade e segurança da Carol e do meu marido, ganhei mais força, entre respirações e agachamentos fomos para a sala de parto humanizado. A cada contração a dor que eu achava ser insuportável mostrava que podia ser pior um pouquinho, desisti mais uma vez. Pedi anestesia pelo amor de Deus. Novo toque e a notícia que naquele momento não seria possível, pois a dilatação era 4 cm e uma analgesia seria uma sentença de cesariana já que estagnaria o trabalho de parto.

Cesariana? Igual a primeira que eu tive efeito colateral do anestésico, fiquei sem ar, desfaleci diversas vezes e nem vi meu filho nascer? Não era possível! Foi aí que meu dream team fez toda a diferença, juntos eles me fortaleceram, cada um ao seu modo, com palavras de carinho, o toque suave de uma massagem, a sugestão de uma posição ou respiração, tudo com muito amor.

Desisti diversas vezes, diversas vezes fui novamente encorajada até que 3h depois reconheci a hora de dizer "daqui não consigo mais seguir". Meu corpo tinha estagnado o processo, na verdade ele lutava sozinho por uma engrenagem que não estava rodando. O Heitor não desceu, não encaixou mesmo depois de tantos exercícios, contrações... A sensação de fracasso e frustração do primeiro parto veio com toda força, em lágrimas e com um eco dentro da minha cabeça que eu não tinha conseguido, mais uma vez.

Nesse momento, a Dra. Taciana foi de uma sensibilidade incrível, me colocou no colo, me acolheu, me disse palavras lindas de conforto e consolo. Com muita dor e medo segui para o centro cirúrgico para mais uma cesariana. Nesse momento eu só queria que tudo acabasse, eu estava física e emocionalmente exausta. 

Às vezes, na vida a gente tem a reconhecer a hora de abandonar o sonho antigo, ver o que a vida te dá de subsídio e sonhar de forma diferente. Por duas vezes eu não alcancei o sonho do parto normal, mas tive meu sonhado parto humanizado. Ele veio em forma de cesariana, dessa vez sem efeito colateral intra parto da anestesia, no momento que o Heitor ia sair da barriga o campo cirúrgico foi abaixado e eu consegui ver meu filho nascer. Vi a hora que gentilmente a Dra. Taciana o tirou de dentro de mim, o abraçou e encheu de bençãos e boas vindas. Assisti a tudo isso de mãos dadas com meu companheiro de vida, a sala estava a meia luz, com música suave ao fundo.. ali agradeci a Deus por aquele momento, por ter vivido aquela experiência, por ter encontrado aquelas pessoas.

Sou muito grata ao meu dream team, ele foi literalmente o time dos sonhos, do meu sonho realizado. Naquela noite/madrugada nasceu o Heitor, renasceu uma mãe, nasceu também uma outra Anahí, empoderada, mais consciente dos seus limites e da sua força de superação, grata ao universo pela oportunidade de vivenciar tudo isso e de ter encontrado essas pessoas no caminho!

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