Olhei pra cima e comecei a conversar com Deus, pedi que fosse feita a vontade dEle

by Aline Batista

Dia 1º de setembro acordei antes das 7h sentindo uma leve cólica. Porém,  como não sentia a barriga esticando fiquei na dúvida se realmente era uma contração ou  se eram apenas gases

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Deitei e aguardei para ver se era hora de avisar o marido. Como continuou, perto das 8h falei com ele e pedi para que verificasse se ele notava minha barriga endurecer. Ele confirmou e assim ligamos para nossa médica Dra. Taciana.

 

Lembro que a primeira coisa que disse foi: “Dra. acho que Miguel quer nascer hoje”. Ficamos de ir ao consultório para uma avaliação. Tomei um belo banho, tomei um café e nesse tempinho as dores do parto aumentaram. Pensei que ainda poderia voltar em casa, mas notei que não daria tempo, resolvi colocar as malas no carro!

 

Ao abrir a porta de casa escorreu um pouco de líquido, porém sem alagar o chão! Pensei, “será a bolsa?!”.

 

Enquanto esperávamos no consultório as contrações aumentavam em frequência e dor (já eram 8h30).

 

Quando fui me trocar para ser avaliada escorreu mais líquido e a Dra. confirmou que a bolsa havia estourado, mas só havia 2 cm de dilatação.

 

Enquanto ela ia nos passando as providências a serem tomadas a dor só iapiorando e a frequência aumentando. Saí do consultório com a ideia de ir em casa tomar um banho, andar, relaxar, fazer uma escova....kkk.

 

Dei 10 passos e decidimos ir direto para a maternidade... pois era dor demais para ficar sentindo em casa. Pensei “vai que acontece uma dilatação rápida, do nada”.

 

Ao chegar na Maternidade Brasília, aguardamos a internação e com o aumento das contrações para 2 minutos pensamos que havia tido muito progresso.

 

Enquanto nossa médica não chegava, pedimos para que a obstetra de lá avaliasse  a dilatação. Quando ela falou que estava a mesma coisa, me bateu o desespero. Aquela dor que na minha cabeça já era grau 10… eu já estava com os lábios sangrando de tanto morder e nada havia mudado.

 

Quando a Dra. chegou eu já disse que não estava aguentando de dor. Fomos para a sala de parto humanizado por volta de 13h20. Colocamos uma música, tentei caminhar, tentei ficar na bola, mas era tanta dor que eu não conseguia. Fomos tentar a banheira, mas só piorou as dores.

 

Saí e fui para a cama. Com contrações seguidas eu não conseguia sair da cama, não conseguia beber água, comer nem pensar e meu marido lá do lado com cara de preocupado e tentando me convencer a já pedir uma analgesia.

 

Relutei pois queria dar o possível e o impossível, até que chegou um momento em que após mais uma avaliação continuava apenas com 3 cm de dilatação e a dor era tão intensa que eu já não conseguia mais respirar no momento em que ela vinha (ou seja, eu estava tendo menos de 1 minuto para respirar).

 

Por volta de 14h30, olhei e disse “não aguento mais mesmo, quero a analgesia agora, não aguento esperar mais”. Minha médica concordou e tive a analgesia feita pelo meu marido.  Como foi feita uma dose pequena a analgesia só diminuiu 50% da dor, o que não era suficiente para me deixar em pé ou sentada na bola.

 

Decidimos replicar a dose e após umas 5 contrações veio uma felicidade pois não tinha mais dor. Eu conseguia respirar, minha face mudou a expressão, eu conseguia sentir fome, sede… eu podia andar… me via disposta novamente.

 

Agora era hora de fazer minha parte… fiquei andando na sala, quicando na bola e fazendo agachamentos. Me sentia forte, a mulher maravilha… kkk.

 

Nesse momento queria focar em ter a tão sonhada dilatação. Quando foi por volta de 15h, a Dra. me avisou que estávamos entrando na linha vermelha do gráfico e se no próximo exame não ocorresse nenhuma mudança teríamos que tomar uma atitude. Nessa parte do gráfico o parto provavelmente não progride para normal e sim cesárea.

 

Concordei e pensei: se tiver que ser cesárea, eu vou entender, mas passar por tudo que já passei, tanta dor e ir para cesárea será frustrante. Pois se soubesse que aconteceria isso já teria marcado a cesárea antes.

 

Fui ao banheiro peguei a necessaire que pedi ao marido e fui me maquiar. Pois estava cheia de energia e queria estar linda para o encontro mais esperado que ia ter na vida.

 

Olhei pra cima e comecei a conversar com Deus, pedi que fosse feita a vontade dEle, se fosse para ser normal que mandasse um sinal, algo teria que mudar até a próxima avaliação. Rezei, rezei e rezei.

 

Do outro lado da sala, estava a Dra. Taciana de joelhos pedindo a Deus que nos concedesse esse parto tão desejado e pedindo orações aos seus amigos.

 

Foquei no exercícios pois era a última tentativa.

 

E nós últimos 5 minutos ao quicar e levantar senti uma pressão no assoalho pélvico e escorreu líquido amniótico nas pernas. Avisei a Dra. que algo podia ter acontecido e ao avaliar ela avisou que ainda só tínhamos 3 de dilatação porém, o colo do útero estava tão apagado que dava para abrir com os dedos em formato de tesoura. Ou seja estávamos de novo no jogo…

 

Com a analgesia eu já não sentia as contrações também, precisávamos delas para progressão e então a Dra. iniciou a ocitocina. Quando começou a descer aí a dor voltou com tudo porém agora na região da pelve e lombar… era uma dor fortíssima e eu ainda tinha que me concentrar em fazer força quando ela vinha.

 

De repente, fomos para 6 cm de dilatação, 8 cm e as mãos de Ênio já estavam sendo esmagadas pelas minhas a cada contração. Ao soltar, gritos de dor (porém mais discretos).

 

Ênio me disse: “amor sinta- se à vontade para gritar o quanto quiser”. Respondi: “já estou gritando o que preciso, o suficiente”. Há se soubesse ele que aqueles eram apenas os iniciais, tão fracos como leves suspiros…

 

Ao passar de minutos eu disse que não aguentava mais e escutei “já temos dilatação total. Vai nascer! Se concentra na força... ah dor ah…

 

Hoje não sei  explicar.. sei que era fortíssima! Achava que não ia dar conta. De repente, não enxergava mais ninguém. Só escutava as vozes. Tudo começou a queimar. As contrações mal davam intervalo de respirar. Senti que a cabecinha já estava saindo. Mas, não saia. Pensei porque não saia logo… não aguentava mais... e os gritos… ahhh...esses saiam da alma, deviam ser ensurdecedores… eles retratavam o tamanho da minha dor... acho que assustei quem estava na sala ao lado...kkk!

 

De repente, entre uma força e outra escuto “a cabeça saiu”, olhei rapidamente (pois doía muito!). Eu fazia força e prendia a respiração no momento… balbuciei: “ainda tenho que continuar a fazer força?” Escutei: “sim!”.

 

Mal enchi o pulmão e força.. Escutei de Ênio: “nasceu..!”.

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Quando volto com minha cabeça para frente já me entregaram meu pequeno príncipe e ao colocá-lo no colo pela primeira vez senti ele todo frágil com os olhos abertos, aquele corpo quentinho, tão pequenino…

 

Ah que sensação foi aquela?! Essa sim! Além de me recordar ainda posso sentir. Fiquei inebriada de tanto amor, de graça, sensação de dever cumprido. Me sentia sedada. Uma felicidade imensa invadia a alma. A dor passou no mesmo instante. Já não lembrava mais de nada. Sei até hoje que a senti. Mas. naquele instante ela foi apagada de mim. Tanto que hoje se me perguntar “e o próximo?”. Com certeza tentarei normal novamente. Se tiver que ser será.

 

Quando se tem uma médica em quem você confia, um marido ao lado te dando todo o apoio necessário, cuidando de seu bem estar, e fé em Deus  fica mais fácil enfrentar. Hoje, tenho meu pacotinho de amor nos braços e uma recuperação incrível e imediata após o parto. Desde a hora em que ele nasceu eu já estava 100% para ele. Hoje fazem 23 dias de pura felicidade!

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