Como a ansiedade pode prejudicar a fertilidade?

Como a ansiedade pode prejudicar a fertilidade?

Vários aspectos interferem na fertilidade, desde doenças que afetam a fisiologia do sistema reprodutor até problemas psicológicos. Tanto as mulheres quanto os homens podem ter a capacidade reprodutiva afetada por condições desfavoráveis.

Diante do diagnóstico de infertilidade, é importante dar atenção às questões emocionais, além de acompanhar de perto as patologias que prejudicam a função dos órgãos reprodutores. Ansiedade, estresse e depressão, por exemplo, são transtornos psicológicos comuns em pacientes inférteis.

É sobre isso que vamos falar neste post. Acompanhe!

As condições necessárias para concepção e evolução da gravidez

A fertilidade depende da ação conjunta de diferentes sistemas para manter o funcionamento adequado. Ou seja, a capacidade de reprodução está diretamente relacionada às funções desempenhadas pelos órgãos reprodutores e pelas glândulas endócrinas.

Em resumo, para que a concepção ocorra e o feto consiga se desenvolver, as seguintes condições são necessárias:

O sistema endócrino é responsável pela produção e liberação de hormônios essenciais para as ações do aparelho reprodutor. FSH, LH, progesterona, estrogênio e testosterona são as principais substâncias presentes nas funções sexuais e reprodutivas — algumas em maior concentração no organismo feminino, outras no masculino.

Então, para que a gravidez aconteça e evolua de forma saudável, o equilíbrio dos hormônios é necessário. Mas diversos fatores interferem nesse processo, inclusive disfunções psicológicas. A ansiedade, por exemplo, é um problema que pode afetar o sistema endócrino, desregular as ações hormonais e contribuir para o desenvolvimento de quadros de infertilidade.

Os aspectos psicológicos que podem afetar a fertilidade

As consequências emocionais da infertilidade são mais evidentes do que as possíveis causas psicológicas. A ligação entre problemas psíquicos e funções fisiológicas é bastante complexa, o que torna difícil estabelecer uma relação causal de simples entendimento e que se aplique em todos os casos.

Apesar da dificuldade de atribuir as causas da infertilidade a fatores psicológicos, estudos na área têm observado a prevalência de problemas emocionais em pessoas inférteis, sobretudo em mulheres. Porém, os sintomas são apresentados como causa e consequência da condição.

Pesquisas identificaram desordens psiquiátricas em mais de 40% das pacientes avaliadas — as quais passavam por tratamento de fertilidade em clínicas de reprodução assistida. Os transtornos mais frequentes são ansiedade e depressão.

Alguns autores ainda apontam que o estresse emocional, presente nos quadros de ansiedade, afeta o organismo de forma global e envolve aspectos psicológicos e fisiológicos, afetando, inclusive, as ações hormonais.

Como consequências psicológicas da infertilidade, também é possível observar prejuízos na autoestima, nas relações conjugais, na aceitação social e até nas atividades profissionais, dependendo do impacto que o problema tem na vida da pessoa.

A ansiedade como fator prejudicial

Ansiedade é, a princípio, um sentimento de alerta, um aviso interno de que algo está prestes a acontecer. É um elemento biológico que nos prepara para a ação e pode surgir tanto diante de expectativas negativas quanto na aproximação de eventos positivos — como o dia da formatura, uma grande viagem, a espera do resultado do teste de gravidez, o nascimento do bebê etc.

O estado de ansiedade se torna prejudicial a partir do momento em que toma proporções imoderadas na vida da pessoa. Se o indivíduo é dominado constantemente por sentimentos de preocupação e apreensão sem causa específica, pode ser sinal de uma condição patológica.

Os efeitos da ansiedade são sentidos tanto no organismo feminino quanto no masculino. No entanto, homens e mulheres não são afetados nos mesmos níveis, uma vez que sustentam perspectivas diferentes sobre a situação. Na maioria dos casos, a mulher é quem sofre mais com a pressão social e com frustração por não exercer a maternidade.

Nos homens, os problemas de fertilidade mais relacionados à ansiedade são redução na libido e dificuldade de ereção. Além disso, pesquisas sobre a qualidade do sêmen constataram que o estresse está associado a alterações nas características dos espermatozoides, o que inclui concentração, motilidade e morfologia.

Em relação ao corpo da mulher, várias questões são levantadas para explicar de que forma os sentimentos de tensão, ansiedade e estresse podem prejudicar a fertilidade. Uma delas é a interferência na maturação e no transporte dos óvulos. A produção de determinadas enzimas que tornam o útero desfavorável também seria uma consequência das alterações emocionais.

A amenorreia (ausência de menstruação) é outro prejuízo causado pelos altos níveis de estresse e ansiedade, assim como a liberação de hormônios que provocam contração muscular e reduzem a vascularização na região do útero.

Tudo isso indica que também é importante cuidar dos aspectos psicológicos para favorecer a fertilidade e conseguir uma gestação saudável. Portanto, para garantir mais qualidade de vida aos pacientes e alcançar o objetivo da gravidez, alguns casos necessitam de acompanhamento multidisciplinar — incluindo especialistas em reprodução assistida e psicólogos.

Entre as técnicas de reprodução assistida, a fertilização in vitro é a que apresenta maiores taxas de sucesso. Leia o texto que preparamos sobre o assunto e entenda o que é a FIV.

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