Doação de embriões

Quando, por razões médicas, não é possível fazer o tratamento para infertilidade com a utilização de gametas próprios (óvulos e espermatozoides), uma das opções é recorrer à doação de embriões.

A técnica geralmente é utilizada se não houver produção suficiente dos gametas ou nos casos em que há risco de um ou ambos os pais transmitirem doenças genéticas aos seus descendentes.

A doação de embriões também pode ser utilizada por pessoas que desejam uma gravidez independente. Essa técnica deve ser anônima e sem fins lucrativos.

Este texto explica o funcionamento do procedimento de doação de embriões e como é realizado o tratamento com a utilização da técnica.

Como funciona o procedimento?

Um percentual significativo de todos os ciclos de FIV (fertilização in vitro) gera embriões excedentes, que são criopreservados para serem utilizados em futuros ciclos ou doados a outros casais inférteis.

O processo de criopreservação, principalmente pela técnica de vitrificação, tornou-se parte importante da FIV. A técnica envolve o congelamento do material com a utilização de soluções crioprotetoras que ajudam a proteger o embrião. São congelados os embriões mais saudáveis, já submetidos a análises genéticas, que permitem apontar genes defeituosos potencialmente transmissíveis ou defeitos cromossômicos, por exemplo.

Além disso, vantagens como a redução do risco de gestações múltiplas aumentam ainda mais as taxas para uma gravidez bem-sucedida.

Entretanto, nem sempre esses embriões excedentes são usados para obtenção de uma nova gravidez, e os pacientes precisarão decidir o que fazer com eles. Entre as opções estão a doação para outros casais ou pessoas solteiras que queiram engravidar, assim como para pesquisas científicas com células-tronco, ou o descarte deles (após 3 anos de congelamento).

É possível escolher os embriões com base em características genéticas similares às dos pais. As características fenotípicas dos doadores ficam registradas para consulta do casal em busca de embriões.

Em alguns países, o processo é chamado de adoção de embriões, entretanto, além de diferir em regulamentação quando comprado à adoção tradicional, carrega ainda o conceito de união entre mães e filhos, que ocorre no período gestacional, desde a nutrição do feto, à simbologia de proteção, gestação, nascimento e amamentação.

Estudos recentes também têm apoiado a teoria de que as mães que optam pela doação de gametas ou embriões contribuem, ao mesmo tempo, com uma quantidade de DNA para o feto.

De acordo com eles, diversas moléculas, incluindo as microRNAS (RNAs endógenos que regulam a expressão genética), são transmitidas da mãe para o feto pelo fluído endometrial, garantindo, portanto, características genéticas maternas, mesmo que os embriões tenham sido formados por diferentes ascendências.

Como é realizado o tratamento com a doação de embriões?

A técnica de doação de embriões também é parte integrante do tratamento realizado com a FIV. Entretanto, o procedimento difere em algumas etapas. Após a realização de exames físico, laboratoriais e de imagem para confirmar a saúde do aparelho reprodutor da mulher que irá receber o embrião, é importante assegurar a receptividade endometrial.

Mesmo que o embrião seja saudável, outros fatores também são fundamentais para que a gravidez seja bem-sucedida. Entre eles está a receptividade endometrial, um dos parâmetros de saúde reprodutiva para garantir o sucesso da implantação.

Ela indica que o endométrio, tecido que recobre a parede interna do útero, está pronto para acolher o embrião. O momento é conhecido como janela de implantação. As falhas de implantação geralmente são provocadas por problemas relacionados ao ciclo endometrial.

Como a expressão genética dos diferentes tipos de células endometriais é regulada por esteroides ovarianos e moléculas segregadas por hormônios das células vizinhas, devido a esta regulação, o endométrio passa por modificações cíclicas que compõem o ciclo endometrial. Por isso, para definir o melhor o momento para transferência do embrião, uma das técnicas complementares à FIV, o teste Era, é utilizado.

Importante para avaliar o estado de receptividade endometrial, ele permite diagnosticar com precisão o ciclo endometrial, estabelecendo o período de maior receptividade.

Após a realização do teste, a transferência pode ser feita em ambiente clínico ou hospitalar e nem sempre a anestesia é necessária. A ultrassonografia transvaginal é utilizada para orientar o processo, os embriões são colocados em um cateter e depositados no útero da paciente, que é liberada cerca de seis horas após o procedimento.

Em alguns casos, podem ser prescritos medicamentos com progesterona para assegurar a sustentação da gravidez até que ela seja confirmada, o que pode ser feito com segurança cerca de 12 dias após o procedimento.

Para confirmar a gravidez, mesmo que o HCG já esteja presente na urina, o exame de sangue garante sempre maior precisão, por isso é o mais indicado pelos especialistas.

No Brasil, as regras da doação de embriões determinam que o número de embriões a ser transferido não pode ser superior a quatro, de acordo com os seguintes critérios:

Além disso, a doação não poderá ter caráter lucrativo ou comercial; os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa; e as clínicas, centros ou serviços em que são feitas as doações devem manter, de forma permanente, um registro com dados clínicos de caráter geral, características fenotípicas e uma amostra de material celular dos doadores.

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