Estimulação ovariana e a indução da ovulação

Um percentual expressivo de mulheres que sofrem com infertilidade tem problemas médicos relacionados à ovulação. Eles incluem desde a falha em liberar um óvulo (ausência de ovulação ou anovulação), à incapacidade de desenvolver e amadurecer um óvulo saudável. A estimulação ovariana e a indução da ovulação são procedimentos que ajudam a aumentar as chances de ovulação e, consequentemente, para uma gravidez bem-sucedida.

Ambos são de fundamental importância para técnicas de reprodução assistida (TRA), como a relação sexual programada (RSP), inseminação intrauterina (IIU) e FIV (fertilização in vitro).

Embora cada técnica utilize um protocolo diferente, de acordo com o tratamento, o objetivo é estimular a produção ou aumentar a quantidade de óvulos maduros para a fertilização.

Este texto aborda a estimulação ovariana e a indução da ovulação, explicando, ao mesmo tempo, como funcionam os procedimentos no contexto das técnicas de reprodução assistida (TRA).

Como a estimulação ovariana e a indução da ovulação funcionam?

O ciclo menstrual é dividido em três diferentes fases: folicular, ovulatória e lútea. Na fase folicular, há um estímulo para o crescimento dos folículos que contêm os óvulos, mas apenas um se desenvolve, amadurece e se rompe, liberando o óvulo.

O processo de amadurecimento ocorre em cerca de 13 dias a partir do início de um ciclo menstrual normal de 28 dias. A ovulação, ou seja, o rompimento do folículo que irá liberar o óvulo, ocorre no 14o dia.

Em mulheres com disfunção da ovulação, os folículos não ovulam ou não se desenvolvem e amadurecem o suficiente para ovular, por isso é realizada a estimulação ovariana.

O procedimento estimula o desenvolvimento folicular ovariano e a maturação dos óvulos. Pode ser indicado de acordo com cada caso de disfunção ovulatória, tanto em ciclos naturais, em que um único óvulo maduro é liberado, como em técnicas de reprodução assistida, em que o objetivo é estimular o desenvolvimento e amadurecimento de vários folículos, aumentando as chances de fecundação.

Independentemente da técnica de reprodução assistida que será utilizada para realizar o tratamento, o primeiro passo é o exame físico, avaliação do histórico da paciente e a realização de exames de imagem, como a ultrassonografia para avaliar a saúde do sistema reprodutor feminino.

Também deverão ser realizados testes para avaliação da reserva ovariana, considerando fatores como idade, contagem de folículos antrais (portadores dos óvulos) e dosagem de hormônio antimülleriano (HAM), que regula o crescimento e desenvolvimento dos folículos durante a vida reprodutiva. Eles permitem estimar a quantidade de óvulos que uma mulher tem ainda em seus ovários.

Nas técnicas de baixa complexidade, como a relação sexual programa (RSP) e a inseminação intrauterina (IIU), em que a fecundação acontece naturalmente no útero – intracorpórea ou in vivo –, o ciclo é minimamente estimulado por medicamentos hormonais para obter até três óvulos.

Já na FIV (fertilização in vitro) são utilizadas doses hormonais mais elevadas com o objetivo de obter uma quantidade maior de óvulos, que pode ultrapassar 20, de acordo com a idade da mulher. Geralmente, mulheres mais jovens produzem um número maior de folículos. Após estimular a ovulação, é feita a punção folicular, processo cirúrgico para coleta dos óvulos.

Independentemente da técnica que será utilizada, durante o procedimento de estimulação ovariana, o crescimento dos folículos é monitorado periodicamente por ultrassonografia, até atingir um diâmetro ideal para ovular. Nessa etapa é realizada, então, a indução da ovulação, também a partir da utilização de medicamentos hormonais, que provocam o rompimento dos folículos e, consequentemente, a ovulação.

Como a fertilização na FIV é extracorpórea, todos os óvulos poderão ser fertilizados, e posteriormente selecionados os embriões mais saudáveis, que serão transferidos para o útero.

No entanto, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão que regulamenta as regras das técnicas de reprodução assistida, permite a transferência de até no máximo 4 embriões, de acordo com a idade da mulher:

Os embriões que não forem transferidos, entretanto, ou mesmo os óvulos que não forem fecundados, poderão ainda ser criopreservados e utilizados no futuro.

Em todas as técnicas há chances de a gravidez ser bem-sucedida. Porém, na FIV, os percentuais de gravidez são cumulativos, assim como as chances em um ciclo de estimulação são maiores. Por esse motivo, é o procedimento de reprodução assistida mais utilizado em todo o mundo.

Há riscos nos procedimentos?

O risco principal do uso de medicações hormonais é o desenvolvimento da síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO), quando os ovários produzem uma quantidade maior de hormônios, o que pode provocar desde alterações metabólicas até problemas mais graves, como trombose venosa profunda (TVP), principalmente nas pernas, torção ovariana ou mesmo a perda da gestação.

No entanto, essa é uma condição rara e pode ser evitada com o acompanhamento clínico e laboratorial adequados durante o tratamento.

A estimulação ovariana tende ainda a aumentar a possibilidade de gestação múltipla, que oferece maior risco para a mãe e para o feto quando comparada à gestação única.

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