Estimulação ovariana

A estimulação ovariana é um procedimento que ajuda a aumentar as chances de ovulação e, consequentemente, uma gravidez bem-sucedida. É indicado para mulheres que sofrem com infertilidade provocada por disfunção na ovulação, um dos principais fatores de infertilidade feminina.

Além disso, a estimulação ovariana é padrão para os tratamentos de reprodução assistida, de baixa e alta complexidade, como a relação sexual programada (RSP), inseminação intrauterina (IIU) e FIV (fertilização in vitro).

Adotada de acordo com cada caso de disfunção ovulatória, desde o ciclo natural, em que um único óvulo maduro é liberado, às técnicas de reprodução assistida, o objetivo é estimular o desenvolvimento e amadurecimento de vários folículos, aumentando as chances de fecundação.

Este texto explica a estimulação ovariana, destacando os casos em que o procedimento é indicado e o funcionamento dele nos tratamentos realizados com as técnicas de reprodução assistida (TRA).

Como a estimulação ovariana funciona e em quais casos é indicada?

Os problemas relacionados à disfunção da ovulação incluem desde a incapacidade de desenvolver e amadurecer um óvulo saudável à falha em liberar um óvulo – ausência de ovulação ou anovulação.

Períodos irregulares, ausência de menstruação ou sangramento anormal são sintomas que geralmente indicam que não há ovulação. Os distúrbios de ovulação são responsáveis por um percentual expressivo de todos os casos de infertilidade feminina e podem ser provocados por diferentes condições.

A mais comum é a SOP (síndrome dos ovários policísticos), embora também possa resultar de problemas da tireoide ou insuficiência ovariana prematura, por exemplo.

Em mulheres com disfunção da ovulação, os folículos não ovulam ou não se desenvolvem e amadurecem o suficiente para ovular, como acontece em um ciclo menstrual normal, por isso é realizada a estimulação ovariana.

O primeiro passo é o exame físico, que vai verificar alterações no útero ou ovários, além da avaliação do histórico da paciente. Para confirmar a saúde do aparelho reprodutor feminino, também deverão ser realizados exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal.

Já a estimativa da produção de óvulos ou confirmação da anovulação é feita por testes de avaliação da reserva ovariana. O protocolo para o tratamento é personalizado, embasado principalmente nos resultados apontados por esses testes, que vão indicar a quantidade e qualidade dos óvulos produzidos.

Embora cada técnica utilize um protocolo diferente, o objetivo é estimular a produção ou aumentar a quantidade de óvulos maduros para a fertilização.

O procedimento é realizado com a utilização de medicamentos hormonais, durante um período que varia ente 8 e 14 dias. Geralmente são adotados medicamentos com o hormônio folículo-estimulante (FSH), em combinação com o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH).

Como o nome sugere, o FSH, uma das gonadotrofinas como o LH, estimula o crescimento dos folículos, pequenas bolsas em que os óvulos se desenvolvem. Em um ciclo menstrual normal, vários folículos crescem, porém, com a queda dos níveis de FSH, apenas um amadurece para posteriormente ovular.

O objetivo da medicação com FSH é, portanto, manter níveis mais elevados do hormônio, permitindo que os ovários produzam mais óvulos maduros.

A maturação dos folículos é acompanhada por ultrassonografias transvaginais seriadas. Quando eles amadurecem, é realizada, então, a indução da ovulação, também a partir da utilização de medicamentos hormonais, que provocam o rompimento dos folículos e, consequentemente, a ovulação, que ocorre depois de cerca de 35h.

Durante a fase de estimulação, exames regulares de sangue são ainda realizados com o objetivo de medir os níveis hormonais e avaliar a resposta da paciente aos medicamentos.

Em alguns casos, pode ser necessário ajustar a dose para garantir maior produção e maturação dos folículos, desde que sejam observados os valores recomendados.

As doses hormonais também variam de acordo com a necessidade de cada paciente e a técnica que será utilizada para realizar o tratamento.

Nas técnicas de baixa complexidade, o ciclo é minimamente estimulado com o propósito de obter até três óvulos. Elas incluem a RSP e a IIU. São técnicas conhecidas como intracorpóreas ou in vivo, em que a fecundação acontece naturalmente no útero.

Quando o tratamento é realizado pela FIV, em que a fecundação ocorre em laboratório (in vitro), são utilizadas doses hormonais mais elevadas com o objetivo de obter uma maior quantidade de óvulos. A quantidade produzida e a qualidade dos gametas dependem de alguns fatores, como a idade da mulher.

Com os óvulos maduros, é realizada, então, a punção folicular, processo cirúrgico para coleta deles. Os embriões formados são posteriormente transferidos para o útero.

Embora a FIV registre as maiores taxas de gravidez bem-sucedida por ciclo de estimulação, em todas as técnicas as chances são bastante expressivas.

Quais riscos podem ser provocados pela estimulação ovariana?

Como o procedimento estimula a maturação de mais de um óvulo, há um risco aumentado de gestação múltipla. Mesmo que em muitos casos seja desejada pelo casal, oferece maior risco para a mãe e para o feto quando comparada à gestação única, por isso deve ser evitada.

Porém, o risco principal para o uso de medicações hormonais é o desenvolvimento da síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO). O aumento da produção de hormônios pelos ovários pode provocar desde alterações metabólicas a problemas mais graves, entre eles a trombose venosa profunda (TVP), principalmente nas pernas.

A síndrome de hiperestimulação ovariana, entretanto, é uma condição rara, atualmente evitada pelo acompanhamento clínico e laboratorial durante o tratamento.

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