FIV (Fertilização in Vitro)

Indicada para casais que sofrem com infertilidade, a FIV (fertilização in vitro) tornou-se popularmente conhecida na década de 1970, quando nasceu o primeiro bebê concebido pela técnica.

Apelidada de ‘bebê de proveta’, surgia como alternativa importante para os problemas de fertilidade. Nos últimos 40 anos, a FIV evoluiu e é o procedimento de reprodução assistida que registra os números mais expressivos de nascimentos.

Atualmente, por exemplo, as técnicas complementares à FIV permitem desde a identificação de problemas genéticos no embrião até a avaliação da receptividade do endométrio (tecido que reveste o útero), possibilitando maximizar as taxas de implantação e, consequentemente, garantir mais chances para uma gravidez bem-sucedida.

Pode ser realizada a partir de dois procedimentos: FIV convencional e FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides). Atualmente, a ICSI é o método mais utilizado, uma vez que oferece mais possibilidades e uma taxa de sucesso maior.

Este texto explica tudo sobre a FIV: o funcionamento dos procedimentos, as técnicas complementares e indicações, contextualizando-as de acordo com a necessidade de cada paciente.

FIV passo a passo

O ciclo da FIV inicia com a estimulação ovariana por hormônios (etapa 1), com o propósito de aumentar o número de óvulos disponíveis para a fecundação. O controle do desenvolvimento folicular é acompanhado por exames de ultrassonografia, ao mesmo tempo que são realizados exames de sangue para avaliar a dosagem hormonal.

Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é feita, então, a punção dos óvulos (etapa 2) e, paralelamente, a de sêmen. Os melhores gametas masculinos são selecionados com base em critérios, como qualidade e motilidade.

O próximo passo (etapa 3) é a fecundação. Na FIV clássica, espermatozoides e óvulos são colocados juntos em uma placa de Petri – recipiente cilíndrico, achatado, de vidro ou plástico, utilizado para a cultura de microrganismos. Nela, a fertilização ocorre de forma natural.

Na FIV com ICSI, os gametas também são colocados em uma placa de Petri. No entanto, o embriologista captura um único espermatozoide e o injeta com o auxílio de microscópio e de uma agulha extremamente fina diretamente dentro do óvulo, aumentando as chances de fecundação.

A FIV com ICSI é indicada para todos os casos de infertilidade, sendo atualmente muito mais empregada em procedimentos de reprodução assistida, mas é especialmente indicada em casos de infertilidade por fator masculino grave ou quando há uma amostra limitada de espermatozoides.

Como os embriões são formados fora útero materno, eles precisam ser cultivados por alguns dias (etapa 4). São os meios de cultura que oferecem os nutrientes necessários para o bom desenvolvimento deles.

A última parte do tratamento (etapa 5) é a transferência dos embriões para o útero da mulher, quando pode ocorrer a gravidez.

Se houver embriões excedentes, eles devem ser congelados por pelo menos 3 anos (etapa 6), mas isso nem sempre acontece.

Principais técnicas complementares à FIV

As técnicas complementares, como o nome indica, têm por objetivo complementar o tratamento de FIV. Elas oferecem um suporte para determinados casos com o objetivo de aumentar as chances de os casais terem filhos.

A indicação delas varia de acordo com a necessidade de cada caso. Algumas vezes, por exemplo, a adoção apenas da FIV com ICSI pode ser suficiente para obter uma gravidez bem-sucedida. As principais técnicas complementares à FIV incluem:

Teste ERA

O teste Era (teste de receptividade endometrial) é uma ferramenta molecular que analisa por NGS, do inglês Next Generation Sequencing, o sequenciamento genético de 236 genes relacionados ao estado de receptividade endometrial, um dos parâmetros de saúde reprodutiva para garantir o sucesso da implantação.

A análise permite diagnosticar com precisão o ciclo endometrial e a receptividade do endométrio, definindo o melhor momento para implantação do embrião. É importante para melhorar as taxas de implantação embrionária, principalmente em pacientes com histórico de falha repetida de implantação (RIF), considerada a maior causa de infertilidade em mulheres sem causas aparentes.

Congelamento de gametas e embriões

A técnica é utilizada para preservar o potencial reprodutivo de mulheres e homens para armazenar gametas e embriões que não foram usados durante o tratamento de FIV ou que foram disponibilizados por programas de doação.

Também chamada de criopreservação, entre as indicações mais comuns está o avanço da idade feminina, em que há declínio da fertilidade, pacientes com câncer ou congelamento social, quando há a intenção de adiar os planos de gravidez.

Teste genético pré-implantacional

O teste genético pré-implantacional (PGT) identifica alterações genéticas ou cromossômicas antes da implantação no útero, com a utilização de diferentes técnicas: PGT-M, PGT-A e PGT-SR.

A técnica utilizada para analisar os genes que podem ser responsáveis por doenças hereditárias é o PGT-M. A maioria das doenças genéticas é causada por um único gene (doenças monogênicas), que pode ser dominante ou recessivo, o que interfere nas chances de o bebê herdar o distúrbio.

Para analisar as alterações cromossômicas, são utilizadas as técnicas PGT-A e o PGT-SR. Geralmente herdadas dos pais, as alterações cromossômicas também podem ocorrer independentemente de histórico familiar, estimuladas por fatores como o avanço da idade, por exemplo.

Hatching assistido

Um dos fatores que podem influenciar a falha de implantação está relacionado a uma maior dificuldade de o embrião romper a zona pelúcida, película que o envolve nos primeiros dias após a fertilização. Esse processo é chamado hatching ou eclosão.

O hatching assistido (HA), também chamado eclosão assistida, baseia-se na criação de aberturas artificiais (fendas ou buracos) na zona pelúcida para a ajudar no processo de incubação, com o propósito de aumentar as chances de implantação, uma vez que nem sempre a transferência de embriões saudáveis gera gravidez.

Doação de gametas e embriões

A doação de gametas e embriões é uma alternativa importante para disfunções do sistema reprodutor feminino e masculino.

No Brasil, o procedimento de doação é permitido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão que regulamenta as técnicas de reprodução assistida (TRA), e não pode ter caráter lucrativo ou comercial.

Preparação seminal

A preparação seminal é uma técnica importante para auxiliar no diagnóstico de infertilidade masculina e para o tratamento de FIV.

Em laboratório de andrologia, são analisados aspectos macroscópicos dos espermatozoides, como viscosidade, liquefação, volume, cor ou pH, e microscópicos, como a quantidade de espermatozoides no sêmen, motilidade, vitalidade ou morfologia e selecionados os melhores. A análise também detecta outros tipos de substâncias presentes no sêmen que podem dificultar a gravidez.

Quais são as taxas de sucesso da FIV

As taxas de sucesso da FIV apresentam, anualmente, uma curva ascendente no mundo todo, inclusive no Brasil, e indicam um percentual bastante expressivo em relação aos procedimentos realizados. A média é de 40% por ciclo, mas pode variar bastante de acordo com diversos fatores do casal.

No entanto, são mais significantes em mulheres com até 35 anos, uma vez que o avanço da idade provoca a perda de qualidade e quantidade dos óvulos.

Entende-se como sucesso o percentual de bebês nascidos vivos por ciclo de FIV iniciado ou taxa de embriões implantados. Ou seja, as taxas medem as chances de ter um bebê após a realização de um ciclo de FIV.

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