Hatching assistido

O hatching assistido (HA) é uma das técnicas complementares à FIV (fertilização in vitro) e tem por objetivo aumentar as chances de implantação do embrião, uma vez que nem sempre a transferência de embriões saudáveis resulta em gravidez.

Um dos fatores que podem influenciar a falha de implantação está relacionado à maior dificuldade de o embrião romper a zona pelúcida, película que o envolve nos primeiros dias após a fertilização. Esse processo é chamado hatching ou eclosão.

A eclosão natural acontece pelo declínio da zona pelúcida e não pela pressão do embrião em expansão. A falha na eclosão pode ser um dos vários fatores que limitam a fertilidade, principalmente nos tratamentos de reprodução assistida.

Por isso, a eclosão assistida (hatching assistido), realizada antes da transferência do embrião em um ciclo de FIV, tem sido amplamente proposta, especialmente nos casos em que a zona pelúcida é mais espessa ou densa, normalmente associados à idade avançada da mulher ou má qualidade embrionária.

Este texto explica o hatching assistido, desde o funcionamento do procedimento, casos em que ele é indicado e taxas de sucesso, à possibilidade de riscos.

Como o hatching assistido funciona?

O óvulo inicialmente e depois o embrião são envolvidos por uma matriz acelular chamada zona pelúcida, que é composta por glicoproteínas, carboidratos e proteínas. A zona pelúcida possui duas camadas, uma externa mais espessa e outra interna mais fina e elástica.

A zona pelúcida é de fundamental importância, estrutural e funcional, durante a fertilização e o desenvolvimento pré-implantacional do embrião. Está envolvida desde a ligação espermática, indução da reação acrossômica, que promove a fusão com o óvulo, à manutenção da integridade do embrião em formação.

Quando o embrião atinge o estágio de blastocisto, ocorre a eclosão. A expansão da massa embrionária reduz a espessura em preparação para o processo, enquanto as células que irão originar a placenta interagem com as do endométrio para que ocorra a implantação.

A eclosão assistida baseia-se na criação de artificiais (fendas ou buracos) na zona pelúcida para ajudar no processo de eclosão. A técnica demonstrou elevar as taxas de implantação e gravidez em mulheres de idade avançada, em mulheres com falha recorrente de implantação e após a transferência de embriões congelados.

Atualmente, o procedimento de hatching assistido que apresenta melhores resultados utiliza a tecnologia a laser. No entanto, pode ser ainda mecânico, realizado com a ajuda de uma agulha, ou químico, com a utilização de ácido acético.

Em quais casos o hatching assistido é indicado?

Não são todos os embriões formados por FIV que precisam ser submetidos ao hatching assistido. O procedimento é indicado apenas em alguns casos, com o propósito de aumentar as chances de gravidez. Os principais incluem:

O hatching assistido é ainda indicado se houver necessidade de realizar o teste genético pré-implantacional para o rastreio de doenças genéticas ou anormalidade cromossômicas. As células analisadas a partir da eclosão proporcionam um resultado mais preciso.

Quais são as taxas de sucesso do hatching assistido?

Embora as taxas de sucesso sejam significativas em todos os procedimentos, elas variam de acordo com a faixa etária da mulher submetida à FIV. Em mulheres que ainda estão em idade reprodutiva, por exemplo, são maiores quando comparadas com mulheres mais velhas.

O hatching assistido pode provocar riscos?

É muito raro que o hatching assistido provoque algum dano ao embrião, tornando-o inutilizável ou comprometendo a sua qualidade. No entanto, o procedimento pode aumentar o risco para a gestação múltipla (gemelar), principalmente de gêmeos idênticos (monozigóticos).

Embora em muitos casos possa ser desejada pelos pais, a gestação múltipla proporciona maiores riscos para a mãe e fetos, como pré-eclâmpsia (aumento da pressão durante a gravidez) e bebês com baixo peso, uma vez que em uma gravidez gemelar são mais altos os hormônios, o peso, a distribuição de nutrientes e o fluxo de sangue, por exemplo.

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