Infertilidade sem causa aparente (ISCA)

O termo infertilidade sem causa aparente (ISCA) é utilizado para definir cerca de 30% dos casais inférteis cuja investigação da fertilidade, incluindo análise de sêmen, testes ovulatórios e permeabilidade tubária, falharam em detectar qualquer anormalidade que pudesse sugerir alterações de fertilidade. Dessa forma, ISCA é um dos possíveis diagnósticos para casais que estejam com dificuldades de engravidar, após uma minuciosa investigação.

A ISCA tem uma etiologia heterogênea. As potenciais causas podem estar relacionadas a distúrbios endocrinológicos, problemas imunológicos, genética, entre outros fatores.

Este texto aborda como é feito o diagnóstico da ISCA e os procedimentos indicados para pacientes que tenham esse problema.

Como a infertilidade sem causa aparente é diagnosticada?

A ISCA é definida baseada na exclusão de outras causas conhecidas de infertilidade. Os exames geralmente solicitados incluem: testes ovulatórios, espermograma (avaliação seminal) e a histerossalpingografia (HSG), que avalia a permeabilidade tubária. Também podem ser solicitados exames hormonais, como o antimülleriano, para avaliar a reserva ovariana.

É o conjunto de informações, como anormalidades tubárias, seminais – concentração de espermatozoides, motilidade e morfologia –, além dos valores de corte aceitos para a progesterona sérica, que irá determinar se a infertilidade está sendo provocada por algum fator conhecido ou se será diagnosticada como sem causa aparente.

O que pode provocar a infertilidade sem causa aparente?

Algumas condições clínicas podem provocar a infertilidade sem causa aparente. No entanto, é sempre importante destacar que a investigação deve ser aprofundada. Muitas condições passam despercebidas em avaliações superficiais. Elas incluem:

Infertilidade imunológica

A doença autoimune afeta até 20% dos homens e mulheres no mundo industrializado. Por isso, alguns estudos se concentraram no papel das causas imunológicas no sucesso reprodutivo, e algumas evidências foram apresentadas para apoiar o papel dos fatores autoimunes na infertilidade feminina.

Doença tubária leve

Os testes diagnósticos, a histerossalpingografia e a laparoscopia têm algumas limitações em termos de precisão na avaliação da permeabilidade e função tubária. Por exemplo, embora a laparoscopia consiga detectar com maior precisão problemas como o bloqueio das tubas uterinas, condição que pode ter indicação de FIV (fertilização in vitro), a extensão em que as aderências leves em torno de um tubo podem afetar a fertilidade não pode ser determinada.

Por outro lado, a histerossalpingografia não consegue identificar doenças menos graves nas tubas uterinas em algumas mulheres.

Endometriose

Na ausência de um exame laparoscópico detalhado da pelve, a endometriose pode ser diagnosticada erroneamente como infertilidade sem causa aparente.

Sabe-se que o estágio grave da endometriose pode interferir na fertilidade. As taxas de gravidez são menores em mulheres com endometriose, por exemplo, em comparação com as portadoras de doença tubária.

Idade feminina avançada

A tendência de retardar a gravidez por razões sociais resultou em um número crescente de mulheres que procuram tratamento para infertilidade em idade avançada, pois o envelhecimento do ovário causa uma resposta ovariana mais fraca.

A importância do diagnóstico preciso é a possibilidade de elaborar um planejamento de tratamento mais adequado. Independentemente do tipo de infertilidade, entretanto, os tratamentos de reprodução assistida indicados para fertilidade sem causa aparente têm demonstrado uma taxa expressiva de sucesso.

Qual o tratamento indicado para a fertilidade sem causa aparente (ISCA)

De modo geral, o tratamento da ISCA é realizado por técnicas de reprodução assistida (TRA). De acordo com o caso, podem ser adotadas técnicas de baixa ou alta complexidade. As mais indicadas são:

Relação sexual programada

A relação sexual programada (RSP) é uma técnica simples e de baixo risco. No entanto, é indicada apenas para mulheres com até 35 anos, com boa saúde das tubas uterinas e se os espermatozoides também estiverem saudáveis.

O procedimento inicia com a estimulação ovariana e indução da ovulação – estimulação dos ovários por medicamentos, administrados via oral ou injetável para que um número maior de folículos se desenvolva. O crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassom transvaginal, tornando possível programar a relação sexual para os dias férteis, aumentando as chances de fecundação.

Para saber em detalhes sobre essa técnica, acesse relação sexual programada (RSP).

Inseminação artificial (IA) ou intrauterina (IIU)

A inseminação artificial (IA) é uma técnica utilizada quando também há uma alteração – de leve a moderada – do esperma.

Também inicia com a estimulação ovariana e indução da ovulação. Na IIU, entretanto, o espermatozoide é preparado em laboratório, com a utilização de técnicas de capacitação, em que os melhores nadam para a superfície. Dessa maneira, são eliminados os mortos, imóveis ou lentos, aumentando a concentração dos que possuem maior capacidade de fecundação.

Os espermatozoides resultantes da capacitação são introduzidos no útero durante um ciclo de ovulação.

A técnica apresenta bons índices de gestação – cerca de 20% em média –, mas também não é recomendada para mulheres que tenham doença grave nas tubas uterinas, com histórico de infecções pélvicas e com endometriose.

Quando não há sucesso no tratamento com a utilização das técnicas de reprodução assistida de baixa complexidade (RSP e IA), a FIV (fertilização in vitro) é indicada.

Fertilização in vitro

A FIV (fertilização in vitro) é a técnica de reprodução assistida que apresenta as maiores taxas de gravidez bem-sucedida.

Nela, a manipulação de ambos os gametas (espermatozoides e óvulos) é feita em laboratório, com o propósito de obter embriões de boa qualidade. Utilizamos como procedimento padrão a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide).

O percentual de sucesso do tratamento na FIV é bem mais expressivo: aproximadamente 40% em mulheres com até 35 anos. De acordo com o último Congresso da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), desde a década de 1970, quando nasceu o primeiro bebê por FIV, até os dias atuais, foram gerados cerca de 8 milhões de bebês no mundo, número que continua em crescimento.

Estima-se que mais de meio milhão de bebês nasçam a cada ano de FIV, a partir de mais de 2 milhões de ciclos de tratamento realizados.

Conclusão

A ICSI é uma condição que pode ser grave, mas também ser superada com a utilização de técnicas de reprodução assistida, como a RSP, a IA e FIV.

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