ICSI (Injeção intracitoplasmática de espermatozoide)

A ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides) revolucionou o tratamento de pacientes com fator masculino grave de infertilidade e está entre os principais avanços das técnicas de reprodução assistida (TRA) nas últimas décadas. Ela é um método específico de fecundação no contexto da FIV (fertilização in vitro).

O procedimento é realizado pela micromanipulação dos gametas, tanto masculinos como femininos, quando um único espermatozoide é injetado dentro do óvulo com o auxílio de um microscópio e de uma agulha extremamente fina para que ocorra a fecundação.

Os espermatozoides são coletados de uma amostra de sêmen ou por biópsia testicular e, posteriormente, selecionados os de melhor qualidade, que serão utilizados na FIV. Os óvulos são coletados por punção após a estimulação ovariana e indução da ovulação.

Este texto aborda o funcionamento da FIV com ICSI, destacando as indicações do tratamento e as técnicas complementares a ele que contribuem para garantir uma gravidez bem-sucedida.

Como é realizado o tratamento da FIV com ICSI

A FIV com ICSI oferece um tratamento eficaz para os pacientes com fator masculino grave. Mesmo quando a possibilidade de gravidez é afetada pela qualidade do sêmen, a técnica permite a seleção de gametas masculinos mais saudáveis ou a coleta deles em locais como epidídimo e testículo, quando não estão presentes no líquido seminal. Os procedimentos para retirada de gametas diretamente dos testículos ou epidídimos são: PESA, MESA, TESE e Micro-TESE.

A ICSI atravessa a camada de célula externa do óvulo e a parte interna, injetando o espermatozoide diretamente, aumentando ainda mais as chances de fecundação. Esse procedimento não oferece riscos ao óvulo.

O primeiro passo para o tratamento é uma investigação criteriosa do casal, com análise de pelo menos duas amostras de sêmen, além do exame físico, complementares e avaliação do histórico, para determinar a etiologia. Depois disso, é feita a preparação seminal. A mulher também passa por avaliação profunda. Muitos exames são solicitados para essa investigação, como a ultrassonografia e a histerossalpingografia.

Uma das técnicas complementares à FIV, a preparação seminal tem como propósito a seleção dos melhores espermatozoides para o processo de fecundação e também é importante para auxiliar no diagnóstico.

É realizada em laboratório, quando são analisados aspectos macroscópicos, como viscosidade, liquefação, volume, cor e pH, e microscópicos, como a quantidade de espermatozoides no sêmen, motilidade, vitalidade e morfologia.

Existem diversos métodos para preparação seminal, porém os mais utilizados são o gradiente descontínuo de densidade e a migração ascendente.

No gradiente descontínuo de densidade, uma força centrífuga é aplicada nos espermatozoides para que eles vençam gradientes de densidades diferentes, enquanto a migração ascendente (swim-up), tem como critério para seleção a motilidade. Com a força de centrifugação em líquido, os espermatozoides com maior mobilidade se desprendem e nadam para a superfície.

Durante a etapa de preparação seminal são selecionados os espermatozoides com melhor motilidade e morfologia para fertilização. Eles podem ser utilizados a fresco ou congelados. Depois de fertilizados, os embriões são transferidos para o útero para que tenha início a gravidez.

Depois da análise profunda do casal, verifica-se se a FIV é indicada. Se sim, é realizado o procedimento, nas seguintes etapas: estimulação ovariana e indução da ovulação, punção dos óvulos e coleta dos espermatozoides, fertilização, cultivo embrionário em laboratório, transferência embrionária e teste de gravidez.

Quando o tratamento da FIV com ICSI é indicado?

O tratamento é indicado nos seguintes casos de infertilidade masculina:

Além disso, é ainda importante para aumentar o número de óvulos fertilizados, principalmente para mulheres acima de 35 anos. Também é necessário quando o casal vai utilizar gametas ou embriões congelados.

Na ICSI, os espermatozoides podem ser extraídos do epidídimo, duto que as células espermáticas produzidas no testículo atravessam, ou dos testículos, a partir da utilização de diferentes técnicas. Por isso, também é indicada para homens azoospérmicos, com ausência de espermatozoides na ejaculação.

A azoospermia é uma condição bastante comum em homens inférteis e resulta na ausência de produção de espermatozoides pelos testículos (azoospermia não obstrutiva) ou na dificuldade de transportá-los pelo líquido seminal em razão de alguma obstrução (azoospermia obstrutiva).

As técnicas utilizadas para extração de espermatozoides em homens com azoospermia incluem:

Azoospermia obstrutiva

Azoospermia não obstrutiva

Estudos demonstram que o percentual de recuperação de espermatozoides é bastante expressivo em todas as técnicas.

Independentemente do fator que afetou a fertilidade, a ICSI contribuiu de forma significativa para aumentar as taxas de sucesso da FIV.

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