Preparação seminal

A preparação seminal é uma técnica importante para tratamentos de reprodução assistida, como a inseminação intrauterina (IIU) e a FIV (fertilização in vitro). Além disso, também auxilia no diagnóstico de infertilidade masculina.

O melhor método para a preparação seminal é definido a partir da análise de aspectos macroscópicos dos espermatozoides, como viscosidade, liquefação, volume, cor ou pH, e microscópicos, como quantidade de espermatozoides no sêmen, motilidade, vitalidade ou morfologia. O objetivo é selecionar os melhores para fecundação.

Este texto aborda a preparação seminal, destacando desde os aspectos analisados, até o funcionamento dos métodos mais utilizados atualmente.

Como é realizada a preparação seminal?

A IIU e a FIV iniciam com a estimulação da ovulação e a coleta do sêmen. Depois de coletado, ele é encaminhado para a preparação seminal com o objetivo de selecionar os melhores espermatozoides para a fertilização.

Quando ocorre o processo natural de fecundação, mesmo que milhares de espermatozoides sejam ejaculados, uma seleção progressiva acontece no aparelho reprodutor feminino, permitindo que apenas o mais saudável alcance as tubas uterinas para fertilizar o óvulo.

Nas técnicas de reprodução assistida, diferentes abordagens de preparação seminal são utilizadas para maximizar o rendimento de espermatozoides e selecionar os melhores, além de eliminar os que não têm condições de fecundar o óvulo.

As mais comuns, entretanto, são a migração ascendente (swim-up), o gradiente descontínuo de densidade e a lavagem simples. O melhor método será determinado a partir da avaliação da qualidade seminal.

Coleta das amostras

Para não alterar a qualidade e a integridade do esperma, os pacientes devem seguir algumas instruções, entre elas a abstinência sexual completa entre dois e sete dias. A coleta é feita por masturbação, em recipientes estéreis para evitar a contaminação microbiológica.

Duas frações principais estão presentes no fluido seminal. A primeira é prostática, rica em espermatozoides. A segunda é vesicular e com menor presença dos gametas.

Durante a ejaculação, é muito importante coletar todo o volume da amostra. Se a primeira fração for perdida, por exemplo, a avaliação das características do sêmen será mais difícil.

As amostras são mantidas em temperatura ambiente (de 20 °C a 37 °C) até que a análise seja realizada, o que deve acontecer no período máximo de uma hora.

Exame macroscópico do sêmen

De acordo com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), após a coleta do sêmen, vários elementos precisam ser avaliados para realizar a investigação macroscópica inicial. A característica da amostra deve considerar cor, pH, volume, viscosidade e liquefação. Uma amostra normal, por exemplo, tem uma aparência homogênea com uma cor que varia de cinza a branca opaca. O volume geralmente é medido usando pipetas graduadas.

Exame microscópico do sêmen

Um exame microscópico envolve a avaliação da concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides, critérios que também irão determinar o potencial de reprodução masculino.

A avaliação da concentração de espermatozoides orienta qual a técnica de inseminação mais apropriada, se IIU ou FIV.

Já a motilidade deve ser classificada em três tipos:

Morfologicamente, os espermatozoides são avaliados por região: cabeça, peça intermediária e cauda; e classificados de acordo com os defeitos que cada uma pode apresentar.

A partir do resultado proporcionado pela análise das amostras, é definido o método de preparação seminal que selecionará os melhores gametas para fecundação.

A contagem de espermatozoides também deverá ser feita antes do tratamento do fluído seminal e repetida ao final. A OMS determina a avaliação dos seguintes parâmetros:

Principais técnicas de preparação seminal

Atualmente, os métodos mais utilizados de preparação seminal incluem:

Lavagem simples: esse é o procedimento mais simples utilizado para seleção de espermatozoides. A amostra seminal é centrifugada duas vezes em um meio de lavagem, selecionando os gametas de melhor motilidade.

Apesar da simplicidade e velocidade do método, as centrifugações repetidas sem a separação dos bons espermatozoides de leucócitos e gametas mortos podem provocar danos oxidativos.

Migração ascendente (swim-up): com a força de centrifugação em líquido, os espermatozoides de melhor qualidade se desprendem e nadam para a superfície.

Descrito pela primeira vez em 1984, esse método ainda é amplamente adotado em todo o mundo. No entanto, parâmetros normais de espermatozoides, incluindo motilidade e morfologia, são pré-requisitos para sua utilização, uma vez que ele se baseia na capacidade de o espermatozoide nadar da amostra de sêmen para o meio de cultura.

O procedimento é simples, de baixo custo e permite a recuperação de um percentual expressivo de espermatozoides com alta motilidade.

Gradiente descontínuo de densidade: prevê a aplicação de uma força centrífuga nos espermatozoides, para que eles vençam gradientes de densidades diferentes. A amostra de sêmen é colocada no topo da mídia de densidade. Durante a centrifugação, as células se estratificam em diferentes camadas do gradiente, de acordo com a sua densidade.

Por exemplo, os espermatozoides com melhor morfologia e motilidade têm maior densidade em comparação com os imaturos ou anormais e formam um sedimento no fundo do tubo, enquanto os detritos, bactérias, leucócitos e espermatozoides anormais se estratificam na camada superior.

O procedimento geralmente é indicado quando a amostra tem parâmetros escassos, portanto é usado principalmente para pacientes com baixa produção de espermatozoides, motilidade e morfologia.

Após a sua realização, o percentual médio de motilidade dos espermatozoides selecionados é bastante expressivo.

Recuperação de espermatozoides em homens azoospérmicos: a azoospermia é uma condição masculina caracterizada pela ausência de espermatozoides no fluido seminal. Pode ser obstrutiva, quando um bloqueio impede que o espermatozoide seja transportado pelo líquido seminal, ou não obstrutiva, em que há uma diminuição da produção de espermatozoides pelos testículos.

Na azoospermia obstrutiva, os espermatozoides são recuperados do epidídimo, com a utilização de duas técnicas: PESA e MESA.

PESA (percutaneous epididymal sperm aspiration) ou aspiração percutânea de espermatozoides do epidídimo coleta espermatozoides diretamente dessa estrutura que fica ligada ao testículo utilizando-se uma agulha fina conectada a uma seringa. MESA (microsurgical epididymal sperm aspiration) ou aspiração microcirúrgica de espermatozoides do epidídimo é realizada com o auxílio de um microscópio, que ajuda a identificar os túbulos seminíferos com maior quantidade de líquido seminal para serem aspirados.

Quando a azoospermia é não obstrutiva, a recuperação dos espermatozoides é feita diretamente dos testículos por meio das técnicas TESE e Micro-TESE.

Na TESE (testicular sperm extraction) ou extração testicular de espermatozoides, a coleta de espermatozoides é realizada por biópsia aberta. Prevê uma incisão na bolsa escrotal para expor os testículos e extrair os túbulos seminíferos que podem conter espermatozoides.

A Micro-TESE (microdissection testicular sperm extraction) ou extração de espermatozoides por microdissecção testicular se diferencia da TESE por ser realizada com o auxílio de um microscópio, que permite melhor avaliação dos túbulos seminíferos, ao mesmo tempo que identifica os focos de espermatogênese (processos de divisão e diferenciação celular, pelos quais se formam os espermatozoides).

Todos os procedimentos são minimamente invasivos e asseguram uma boa taxa de recuperação de espermatozoides.

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