Preservação da fertilidade: como pode ser feita?

Preservação da fertilidade: como pode ser feita?

Se o problema da infertilidade parecia não ter solução, os avanços tecnológicos demonstraram a dedicação da ciência para buscar combater tanto as causas quanto as consequências da infertilidade. A FIV (fertilização in vitro), técnica de reprodução assistida com maiores taxas de sucesso, permite também que seja realizada a preservação da fertilidade.

A infertilidade é definida como a ausência de gravidez após um ano de relações sexuais regulares sem o uso de métodos contraceptivos. Ela pode ser causada por fatores masculinos ou femininos diversos e afeta cerca de 9% dos casais ao redor do mundo.

A infertilidade pode ser classificada em primária, secundária ou relativa. A primária ocorre quando o casal não consegue atingir a concepção. A secundária ocorre quando houve já uma gravidez, mas as tentativas seguintes resultaram em falhas. A relativa ocorre quando o casal atinge a concepção, mas não consegue prosseguir com a gravidez.

A preservação da fertilidade, atualmente, no contexto social em que os casais protelam a maternidade, é fundamental. Leia o texto e saiba mais sobre o assunto.

Infertilidade masculina e feminina – causas

A infertilidade pode ser causada por fatores diversos e não deve ser confundida com a esterilidade. Pessoas diagnosticadas com infertilidade têm a possibilidade de obter uma gravidez mediante a realização de tratamentos.

Determina-se a infertilidade masculina por meio da análise do esperma. Essa análise visa determinar o volume, quantidade, morfologia, concentração e motilidade dos espermatozoides.

Alguns homens, por exemplo, não apresentam espermatozoides em seu sêmen, doença que recebe o nome de azoospermia. Por meio da análise da qualidade do sêmen e do espermatozoide, pode-se verificar as causas e determinar o tratamento mais adequado para a infertilidade masculina.

Já a infertilidade feminina pode ser causada por fatores variados relacionados ao sistema reprodutivo feminino. As mulheres nascem com a reserva de folículos, portanto de óvulos, disponíveis para toda a sua vida reprodutiva.

Problemas que acometam os órgãos do sistema reprodutor, como o útero ou os ovários, podem, por exemplo, interferir no amadurecimento e liberação desses óvulos ou na implantação do embrião no útero. Problemas nas tubas uterinas podem impedir a fecundação ou também a implantação.

Como preservar a fertilidade – considerando congelamento de gametas e embriões

A preservação da fertilidade se tornou possível devido ao desenvolvimento da técnica de FIV. Esse tema tem sido muito debatido, principalmente quando correlacionado com a protelação dos planos de gravidez.

Essa protelação ocorre porque a fertilidade da mulher tem o prazo determinado pela sua idade reprodutiva. O homem é fértil durante toda a sua vida, mas a mulher tem sua fertilidade ligada à disponibilidade dos óvulos em sua reserva ovariana.

Casais que não desejam ter filhos no momento ou em que um dos parceiros esteja submetido ao tratamento de doenças oncológicas, que podem afetar sua fertilidade, têm a possibilidade de utilizar essa técnica para decidir o melhor momento para engravidar.

Dessa forma, torna-se possível a preservação da fertilidade, adiando a maternidade para o momento em que o casal desejar.

Como é feita a preservação da fertilidade

A preservação da fertilidade é feita por meio do congelamento de gametas ou de embriões. Essa técnica, que recebe o nome de criopreservação, permite que gametas e embriões sejam congelados por tempo indeterminado, podendo ser utilizados posteriormente no contexto da FIV.

A realização dessa técnica é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), cujas regras têm como objetivo definir quando e como essa técnica pode ser realizada.

Após o material ser coletado, é feita a seleção em laboratório que tem como objetivo selecionar os melhores para serem congelados. A técnica de congelamento por vitrificação consiste no congelamento ultrarrápido por meio da submersão do material a ser congelado em nitrogênio líquido em temperatura de -196 ºC. Ao longo do processo, o material vai sendo submerso em soluções crioprotetoras para manter sua integridade.

Utilização de gametas e embriões – reprodução assistida

Tanto os gametas quanto os embriões devem ser descongelados para que possam ser utilizados na FIV. O descongelamento consiste na remoção dos compostos crioprotetores do material congelado e no aumento da temperatura até a ambiente.

Com relação à transferência de embriões, o CFM determina a quantidade a ser transferida de acordo com a idade da paciente. Mulheres até 35 anos podem ter dois embriões transferidos; para aquelas entre 36 e 39 anos, esse número é de três. Aquelas acima de 40 anos podem ter o número máximo de quatro embriões transferidos.

Taxas de sucesso

A transferência de embriões congelados representa um aumento na taxa de sucesso da FIV, relacionada à possibilidade de seleção dos melhores gametas e embriões a serem congelados.

A possibilidade de congelamento de gametas e embriões também se relaciona com a redução dos riscos de ocorrência de gravidez múltipla e malformação genética.

A preservação da fertilidade se tornou possível por meio do desenvolvimento da técnica de FIV. Dessa forma, casais podem postergar a decisão de se tornarem pais e diminuir os riscos associados a uma gravidez em mulheres com idade avançada, relacionados principalmente à qualidade dos óvulos disponíveis em sua reserva ovariana.

Para saber mais sobre a preservação da fertilidade, veja dois artigos em nosso site, dedicados à preservação social e à preservação oncológica da fertilidade.

Compartilhe:

Deixe seu comentário:

Deixe um comentário

  Se inscrever  
Notificação de