Preservação social da fertilidade

A preservação social da fertilidade permite que casais e mulheres solteiras adiem os planos para a gravidez utilizando o congelamento de óvulos e embriões.

O adiamento da concepção tonou-se um fenômeno global, atribuído a diferentes fatores, incluindo aumento das oportunidades para as mulheres na educação e na carreira, alta taxa de divórcio e instabilidade nos relacionamentos, por exemplo.

Por outro lado, as técnicas de reprodução assistida evoluíram, incluindo a criopreservação de gametas e embriões, tradicionalmente realizadas em mulheres inférteis ou para preservação oncológica da fertilidade, e também se tornaram mais acessíveis.

Evidências apontadas por diferentes estudos demonstram que os gametas e embriões congelados não diminuem em qualidade quando comparados com os frescos e proporcionam taxas similares de gravidez nos tratamentos de reprodução assistida.

A tendência crescente, entretanto, despertou para a preocupação da reprodução tardia, que pode provocar riscos, como anormalidades cromossômicas, aborto espontâneo e infertilidade. Além disso, embora as taxas de gravidez nos tratamentos de reprodução assistida sejam bastante expressivas, elas também diminuem com o avanço da idade.

Este texto aborda o congelamento social, desde o funcionamento nas técnicas de reprodução assistida, aos riscos que podem resultar de uma gravidez adiada por muito tempo.

Como funciona a preservação social da fertilidade?

Na maioria das vezes a preservação social da fertilidade envolve o congelamento dos gametas femininos, embora alguns casais também optem por adiar os planos de gestação. Geralmente, nesse caso, a preferência é por congelar os embriões já formados pela fecundação de ambos os gametas.

Independentemente da escolha, o procedimento é iniciado na estimulação ovariana por medicamentos hormonais, com o objetivo de obter um número maior de óvulos para serem congelados.

Os medicamentos são administrados desde o início do ciclo menstrual. O crescimento dos folículos e maturação dos óvulos é acompanhado por ultrassonografia transvaginal, realizada periodicamente.

Quando eles amadurecem, a coleta é feita por punção e os mais saudáveis são posteriormente congelados.

Embora não exista uma idade limite para o congelamento de óvulos, a recomendação é a de que o procedimento aconteça no máximo até os 35 anos, uma vez que a reserva ovariana e a qualidade deles diminuem progressivamente com o avanço da idade.

Nos casos em que os embriões serão congelados, os espermatozoides também deverão ser coletados de uma amostra de sêmen ou por biopsia testicular. Posteriormente, são selecionados os de melhor qualidade (morfologia e motilidade) para a fecundação, realizada por ICSI, em que cada espermatozoide é diretamente injetado em cada óvulo.

Atualmente, a técnica de congelamento mais utilizada é a vitrificação. O método é ultrarrápido, não exige o emprego de aparelhos especiais e registra as maiores taxas de sobrevivência e menores danos provocados aos gametas e embriões.

Há riscos na preservação social da fertilidade?

Embora a criopreservação atualmente registre números praticamente inexpressivos de danos aos gametas e embriões congelados, a estimulação ovariana pode provocar alguns riscos. O mais comum é a possibilidade de gestação múltipla, causada pelo estímulo hormonal e aumento do número de óvulos maduros.

Os medicamentos hormonais podem provocar, ainda, o desenvolvimento da síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO), que resulta em problemas graves, como a trombose venosa profunda (TVP). No entanto, essa condição é rara e atualmente evitada pelo acompanhamento clínico e laboratorial durante o tratamento.

O tempo de adiamento da gravidez também deve ser observado. Além das taxas de sucesso serem menos expressivas em idades avançadas, há ainda o risco de abortos e malformações do feto durante a gestação, normalmente causadas por aneuploidia, condição em que há um número maior ou menor de cromossomos que o normal, como a síndrome de Down.

No entanto, outra técnica complementar à FIV, o teste genético pré-implantacional (PGT), permite o rastreio de anormalidades cromossômicas e genéticas antes da transferência dos embriões, com taxas significativas de sucesso.

As técnicas complementares à FIV contribuíram para aumentar as taxas de sucesso de gestação em idades mais avançadas, porém ainda permanecem abaixo das registradas em mulheres até os 35 anos submetidas ao tratamento.

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