Qual a idade ideal para engravidar?

Qual a idade ideal para engravidar?

As funções reprodutivas estão entre os processos principais da fisiologia humana, mas há várias condições que alteram o funcionamento normal do sistema reprodutor e impedem que homens e mulheres consigam ter filhos. Além das alterações na fertilidade, há também aspectos psicológicos e sociais que suscitam a discussão sobre uma possível idade ideal para engravidar.

Ao longo deste post, vamos refletir sobre esse tema e contemplar questões como: fatores que interferem na fertilidade feminina; mudanças na capacidade fértil, conforme a idade da mulher; influência do contexto social sobre a decisão de engravidar. Acompanhe a leitura!

Quais fatores interferem na fertilidade feminina?

A capacidade reprodutiva da mulher pode ser prejudicada por diversas condições, desde doenças que acometem o sistema reprodutor até o avanço da idade. Para observar possíveis fatores que estejam causando a infertilidade feminina, o ideal é realizar acompanhamento especializado.

Entre os problemas que mantêm a mulher infértil estão os distúrbios ovulatórios e as patologias que se desenvolvem nos órgãos reprodutores — ovários, útero e tubas uterinas. As causas de infertilidade incluem:

A idade da mulher também pode dificultar a concepção. O Ministério da Saúde alerta em documentos de orientação técnica que a idade superior a 35 anos é uma condição desfavorável e que pode representar risco gestacional. O mesmo acontece com menores de 15 anos, que ainda se encontram em fase de desenvolvimento do sistema reprodutor.

Como a fertilidade evolui durante a vida da mulher?

Quanto maior é a idade da mulher, menor é a fertilidade. O declínio da saúde fértil é observado tanto na concepção espontânea quanto no tratamento com reprodução assistida. Estudos avaliaram que pacientes de FIV (fertilização in vitro) com mais de 40 anos apresentaram maiores riscos de alterações cromossômicas e abortamentos.

A infertilidade em idade avançada é explicada, sobretudo, pela insuficiência da reserva ovariana. No período da menarca, a mulher tem entre 300 e 400 mil folículos. Esse número reduz progressivamente, conforme os anos evoluem, chegando à marca crítica de 25 mil após os 35 anos. Até os 50, há uma queda drástica e sobram cerca de mil folículos, apenas.

A redução da reserva ovariana não é a única explicação para o declínio da fertilidade feminina. Um dos pontos preponderantes é o prejuízo na qualidade dos oócitos, o que leva a alterações cromossômicas e tende a interromper os processos iniciais do desenvolvimento embrionário.

O fator uterino também pode estar associado à queda da fertilidade, sendo responsável pela baixa taxa de implantação. Isso pode ocorrer em razão de mudanças na vascularização do útero e nas respostas do organismo à ação dos hormônios. Tais aspectos tendem a afetar o preparo do endométrio, tornando o ambiente uterino menos acolhedor para o embrião.

Contudo, a capacidade endometrial ainda aparece como fator coadjuvante, deixando o envelhecimento dos folículos ovarianos como alvo principal das mudanças na saúde reprodutiva da mulher.

Qual a relação entre contexto social e adiamento da gravidez?

O contexto social tem forte influência sobre o crescimento nas taxas de gravidez tardia. As mulheres têm optado por terem seus filhos cada vez mais tarde e vários motivos explicam esse fenômeno, como foco no desenvolvimento acadêmico e profissional e dificuldade para manter relacionamentos sólidos.

Em meio a essa mudança de parâmetros, a reprodução assistida surge como uma alternativa para quem pretende engravidar somente após os 35 anos. Nesse caso, um dos métodos recomendados é a preservação social da fertilidade, que permite o congelamento de gametas e embriões para serem utilizados em uma gestação futura.

Assim, é possível coletar os óvulos da mulher enquanto eles ainda apresentam boa qualidade oocitária e encaminhá-los para o processo de criopreservação. Contudo, o tempo de adiamento da gravidez deve ser avaliado, visto que quanto mais idade a futura mãe apresenta, maiores são os riscos gestacionais.

Afinal, existe idade ideal para engravidar?

Do ponto de vista da fisiologia feminina, a resposta é “sim, existe idade ideal para engravidar”. A faixa etária mais segura, em razão da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos, seria antes dos 30.

No entanto, não são apenas os aspectos biológicos que contam na decisão de ter filho. O preparo psicológico e o contexto social são questões que também ganham espaço nessa discussão. Apesar de a maternidade ainda estar entre os projetos de vida de muitas, as mulheres, hoje, encontram caminhos que as levam para outra direção.

As múltiplas oportunidades de estudos, trabalho e até lazer, acabam reservando os planos de gravidez para o futuro. Esse adiamento é compreensível, uma vez que se trata de uma decisão que muda a vida da mulher por completo. Afinal, os cuidados com uma criança também dependem de estabilidade financeira, maturidade emocional e colocam algumas renúncias na vida da mãe.

Portanto, ao contemplar todos os aspectos envolvidos e não considerar apenas os fatores biológicos, vemos que não existe idade ideal para engravidar. Cada mulher deve avaliar suas condições físicas e emocionais, assim como suas expectativas e projetos de vida e tomar essa decisão quando se sentir preparada.

Gostou do texto? Aproveite para ampliar sua visão sobre o tema e leia o post sobre preservação social da fertilidade!

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