Reversão da vasectomia

A vasectomia é um procedimento médico que promove a esterilização masculina, geralmente realizado por homens que não desejam ter mais filhos. No entanto, motivados por diferentes situações, após algum tempo, um percentual significativo desses homens manifesta o desejo de restaurar a fertilidade, recorrendo à reversão da vasectomia.

Um dos métodos contraceptivos mais comumente utilizados, por ser considerado eficaz e pouco oneroso, a vasectomia interrompe a passagem dos espermatozoides pelos canais deferentes. Ou seja, mesmo que o líquido seminal seja normalmente ejaculado, não há espermatozoides nele.

Além da cirurgia clássica para reversão – procedimento minimante invasivo, que também pode ser realizado com o auxílio de um robô (cirurgia robótica) –, se não houver sucesso, a alternativa são os tratamentos com a utilização de técnicas de reprodução assistida (TRA). Em alguns casos, no entanto, a reversão não é indicada.

A indicação depende de cada caso e considera informações como a quantidade e qualidade do esperma, a reserva ovariana e a saúde dos aparelhos reprodutores, tanto masculino como feminino.

Este texto explica a reversão da vasectomia, desde o funcionamento da cirurgia clássica ao tratamento com as técnicas de reprodução assistida.

Como é realizada a reversão da vasectomia pela cirurgia clássica?

Embora a vasectomia possa ser revertida na maioria dos casos, o sucesso da concepção depende de uma série de variáveis, entre elas o tempo decorrido da cirurgia de esterilização: quanto menor, maior a possibilidade de obter uma gravidez bem-sucedida.

Antes de o procedimento ser realizado, o homem deverá ser submetido a exames físico, laboratorial e de imagens, para confirmar se não há problemas que possam causar complicações na cirurgia, se o aparelho reprodutor masculino está saudável e a produção de esperma normal.

A saúde do aparelho reprodutor feminino também deverá ser confirmada, além de uma análise criteriosa do histórico clínico de ambos os parceiros.

A cirurgia geralmente acontece em ambiente hospitalar e requer anestesia local ou geral, de acordo com cada caso. Um pouco mais complicada do que o processo de esterilização, a reversão da vasectomia é um procedimento microcirúrgico, com a utilização de um microscópio que permite a ampliação dos dutos deferentes em até 40 vezes.

Minimamente invasiva, também pode ser realizada com o auxílio de um robô (cirurgia robótica), a partir de dois métodos: vasovasostomia ou vasoepididimostomia. A escolha é feita no momento em que a cirurgia é realizada. Veja abaixo o funcionamento deles:

Vasovasostomia: neste método, o cirurgião reúne as extremidades cortadas de cada duto deferente.

Vasoepididimostomia: um pouco mais complexo, esse método geralmente é escolhido quando a vasovasostomia não pode ser realizada. Prevê a conexão dos dutos deferentes diretamente ao epidídimo, responsável por armazenar e nutrir os espermatozoides até que sejam transportados pelos dutos deferentes para serem ejaculados.

Em alguns casos, há ainda a possibilidade de ser utilizado um método diferente em cada testículo.

Pós-operatório

Após a cirurgia, é recomendado o uso de suporte atlético, além da aplicação de gelo no local para reduzir o inchaço por cerca de 48 horas. O suporte atlético deverá ser utilizado por diversas semanas e a prática de atividades físicas, que impactem diretamente os testículos, deve ser limitada, inclusive as relações sexuais.

Após alguns meses, serão realizados testes periódicos em amostras seminais, para confirmar se a produção e quantidade de espermatozoides foi estabilizada. De acordo com a técnica utilizada, a produção poderá ser normalizada em um período que varia entre 6 meses e mais de um ano.

Se não houver sucesso, será indicado, então, o tratamento com a utilização de técnicas de reprodução assistida (TRA).

Como é realizado o tratamento com as técnicas de reprodução assistida?

O tratamento é realizado com a utilização da FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), em que um único espermatozoide é injetado dentro do óvulo, com o auxílio de um microscópio e de uma agulha, para que ocorra a fecundação.

Os espermatozoides podem ser ao mesmo tempo coletados do epidídimo, duto que as células espermáticas produzidas no testículo são armazenadas, ou dos testículos, a partir da utilização de diferentes técnicas:

PESA (percutaneous epididymal sperm aspiration) ou aspiração percutânea de espermatozoides do epidídimo, é um procedimento de baixa complexidade, em que que a coleta é feita diretamente do epidídimo, com a utilização de uma agulha pequena conectada a uma seringa.

MESA (microsurgical epididymal sperm aspiration) ou aspiração microcirúrgica de espermatozoides do epidídimo é de maior complexidade. Para que os espermatozoides sejam extraídos, é feita uma incisão na bolsa que envolve os testículos expondo o epidídimo. O fluido é aspirado com auxílio de um tubo de silicone ou de uma agulha conectada a uma seringa.

TESE (testicular sperm extraction) ou extração de espermatozoides dos testículos é um método cirúrgico aberto em que os espermatozoides são extraídos a partir de uma biópsia do tecido testicular. A coleta é feita geralmente a olho nu, a partir de uma incisão na bolsa escrotal para que eles sejam expostos.

Micro-TESE (microsurgical testicular sperm extraction) ou extração de espermatozoides testicular é uma cirurgia de biópsia testicular aberta, similar à TESE, entretanto é realizada com a utilização de um microscópio que permite aumentar em até 25 vezes os túbulos seminíferos com maior probabilidade de conter espermatozoides maduros.

O percentual de recuperação de espermatozoides é bastante expressivo em todas as técnicas.

Após a recuperação, os espermatozoides serão selecionados em laboratório com a utilização de técnicas de preparação seminal. São escolhidos os de melhor morfologia e motilidade, que irão fecundar os óvulos.

Os embriões formados podem ser posteriormente transferidos a fresco ou ser congelados para utilização em ciclos futuros da FIV ou mesmo para obtenção de uma nova gravidez.

Entre as técnicas de reprodução assistida, a FIV é que apresenta as maiores taxas de nascimentos vivos por ciclo de fertilização realizado.

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