Reversão de laqueadura

A laqueadura tubária, também chamada de ligadura das tubas uterinas, tornou-se um método contraceptivo bastante comum em alguns países, entre eles o Brasil. No entanto, em muitos casos, as mulheres se arrependem da cirurgia e buscam a reversão de laqueadura.

Uma das principais razões para que isso aconteça, de acordo com diferentes estudos, é o desejo de ter outro filho. Por isso, o arrependimento é ainda maior entre as mulheres mais jovens.

A reversão de laqueadura é um procedimento cirúrgico que permite restaurar a capacidade reprodutiva da mulher em alguns casos, de acordo com a técnica utilizada para fazer a esterilização, ou mesmo a idade da mulher.

Este texto explica o funcionamento da reversão de laqueadura, destacando as técnicas utilizadas para realizar a cirurgia, os casos em que ela é indicada e as taxas de sucesso.

Como funciona a reversão de laqueadura e quando ela é indicada?

Vários fatores desempenham um papel fundamental para a taxa de sucesso da reversão de laqueadura. Eles incluem procedimentos em que a cirurgia de esterilização causou menor quantidade de danos, com remoção de uma pequena porção das tubas uterinas, por exemplo, ou os realizados com a utilização de clipes tubários e anéis, inseridos ao redor das tubas para evitar o transporte dos óvulos liberados durante a ovulação. A possibilidade de obter sucesso também é maior em mulheres com menos de 40 anos.

Por outro lado, são considerados irreversíveis os procedimentos que provocam cicatrizes para selar as tubas uterinas ou que danificam as fímbrias, parte mais próxima aos ovários. Nos casos em que não é possível a cirurgia de reversão, o tratamento de reprodução assistida, como a FIV (fertilização in vitro), é o mais indicado para aumentar as chances de uma gravidez bem-sucedida.

Como funciona o procedimento

A cirurgia de reversão de laqueadura pode ser feita em ambiente hospitalar ou ambulatorial, com anestesia local. A técnica mais utilizada é a videolaparoscopia, com ou sem o auxílio de um robô (cirurgia robótica).

Minimamente invasiva, a laparoscopia prevê pequenas incisões com cerca de 0,5 cm e a utilização de equipamentos de alta tecnologia, como minicâmeras, fibras óticas e monitores, que permitem uma visão detalhada e iluminação ideal do espaço operacional.

Alternativamente, pode ainda ser utilizada a minilaparotomia. O procedimento também é considerado minimamente invasivo, mas é uma abordagem mais próxima às cirurgias abdominais convencionais e prevê a exposição do útero, tubas uterinas e ovários.

Independentemente da técnica utilizada, o objetivo é remover os fragmentos que estão bloqueando as tubas uterinas e tentar repará-las com pequenas suturas realizadas com fio absorvível. Em alguns casos, entretanto, apenas uma das tubas poderá ser reparada.

Os riscos associados a uma reversão de ligadura tubária incluem:

Pós-operatório

A recuperação é bastante rápida. No máximo duas semanas após a cirurgia já é possível retornar às atividades normais.

Após esse período, entretanto, a recomendação é uma consulta ao especialista e realização de exames de imagem, como a ultrassonografia, com o objetivo de acompanhar a evolução do processo.

Qual é a taxa de sucesso para reversão de laqueadura?

As taxas de sucesso para uma futura gravidez após a realização da reversão de laqueadura geralmente são mais altas em mulheres mais jovens, com até 35 anos. A chance de sucesso sofre uma redução depois dessa idade e ainda mais após os 40 anos.

Por outro lado, nem todas as mulheres podem receber indicação de reversão de laqueadura. Nos casos em que a cirurgia tem baixas possibilidades de sucesso ou não pode ser realizada, a FIV (fertilização in vitro) é a uma alternativa importante para aumentar as chances de obter uma gravidez, uma vez que é a técnica de reprodução assistida que registra os índices mais altos de sucesso de nascidos vivos por ciclo realizado.

Antes de sugerir o melhor tratamento, entretanto, além da idade, deverão ser considerados fatores como quantidade de filhos que se pretende ter, problemas de fertilidade, tais como alterações no ciclo menstrual, disfunção na ovulação, produção e qualidade dos espermatozoides do parceiro, caso haja, e, ainda, o tempo decorrido da realização da laqueadura.

Como funciona o tratamento com a FIV?

A FIV inicia a partir da estimulação ovariana por medicamentos hormonais, com o objetivo de estimular o desenvolvimento e amadurecimento de vários óvulos, aumentando as chances de fecundação. Na segunda etapa, os óvulos são retirados dos ovários por punção e os melhores espermatozoides, com melhor morfologia e motilidade, são coletados.

A fertilização dos óvulos ocorre em laboratório, geralmente por injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI). Óvulos e espermatozoides são colocados juntos em uma placa de cultura e o embriologista injeta cada um dos espermatozoides dentro de cada um dos óvulos. Os embriões formados são posteriormente transferidos para o útero.

Nos casos em que os gametas não são saudáveis ou se houver a possibilidade de um ou ambos os pais transmitirem doenças genéticas, é possível, ainda, recorrer à doação de óvulos, espermatozoides ou embriões, que também integra o tratamento de FIV.

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