Teste de receptividade endometrial (ERA)

Nos últimos anos, com a evolução da medicina molecular, surgiram técnicas que possibilitam a análise de genes e de suas interações. A mais atual é a NGS (next generation sequencing) ou sequenciamento de última geração, uma técnica de alto rendimento que utiliza ferramentas que realizam, em paralelo, o sequenciamento de milhões de pequenos fragmentos de DNA.

O teste Era é uma ferramenta molecular que analisa por NGS o sequenciamento genético de 236 genes relacionados ao estado de receptividade endometrial, um dos parâmetros de saúde reprodutiva para garantir o sucesso da implantação. É uma das técnicas complementares à FIV (fertilização in vitro).

A análise é feita a partir de uma biópsia do endométrio e permite determinar o melhor período de receptividade, possibilitando a transferência personalizada do embrião, de acordo com os resultados obtidos em cada caso.

O resultado do teste determina se o endométrio está receptivo ou não no momento que o material colhido na biópsia foi analisado. Um resultado receptivo permite a transferência do embrião no mesmo momento no ciclo subsequente, enquanto um não receptivo sugere um deslocamento do período de receptividade e a necessidade de ajustes nas dosagens dos medicamentos.

Nesse caso, uma nova biópsia e a transferência do embrião são programadas para um ciclo posterior.

Este texto explica o funcionamento do teste ERA, em quais casos ele é indicado, destacando as taxas de sucesso para implantação do embrião a partir da sua realização.

Como o ERA funciona?

O endométrio passa por modificações durante o ciclo endometrial. Isso acontece porque a expressão genética dos diferentes tipos de células endometriais é regulada por esteroides ovarianos e moléculas segregadas por hormônios das células vizinhas.

O primeiro dia desse ciclo, por exemplo, corresponde ao início da fase menstrual, quando ocorre a descamação da camada funcional. Na fase proliferativa, os níveis de estrogênio começam a subir, enquanto o endométrio, ao mesmo tempo, adquire maior espessura.

Na fase secretora, definida como o tempo entre a ovulação e a menstruação, há um aumento nos níveis de progesterona. Nessa fase, o endométrio apresenta um fenótipo receptivo que permite a implantação. O período de receptividade é conhecido como janela de implantação e dura entre 4 e 5 dias.

A análise do endométrio realizada no teste ERA permite diagnosticar com precisão o ciclo endometrial e a janela de implantação, definindo o melhor momento para a transferência dos embriões.

Quando o ERA é indicado?

O ERA é importante para melhorar as taxas de implantação embrionária, principalmente em pacientes com histórico de falha repetida de implantação (RIF), quando a implantação do embrião não ocorre após três tentativas em procedimentos de FIV.

Uma das causas da falha repetida de implantação é a aneuploidia, condição em que há um número maior ou menor de cromossomos que o número normal, como a síndrome de Down, em que o cromossomo 21 tem três cópias (trissomia 21), ou a síndrome de Turner, que ocorre quando um dos dois cromossomos sexuais não é transferido, deixando um único cromossomo X e um total de 45 cromossomos.

A incidência de aneuploidia cromossômica em óvulos ou embriões provocando baixas taxas de implantação é registrada por diversos estudos, motivo pelo qual, mesmo após a transferência de embriões de boa qualidade, muitas mulheres não conseguem manter a gravidez. A aneuploidia também é uma das principais causas de abortos espontâneos e defeitos congênitos.

Além da aneuploidia e distúrbios genéticos, várias patologias uterinas, como endométrio fino, expressão alterada de moléculas adesivas, fatores imunológicos e defeitos espermáticos, podem diminuir a receptividade endometrial, provocando a falha repetida de implantação.

Anormalidades estruturais cromossômicas, como a aneuploidia e distúrbios genéticos, também podem ser detectados por NGS, a partir da realização de outro teste complementar à FIV, o teste genético pré-implantacional (PGT).

Ele também contribui para melhorar as chances de gravidez em pacientes com prognósticos ruins ​​após tratamento de infertilidade, como idade materna avançada, abortos de repetição ou mesmo a falha repetida de implantação.

Quais são as taxas de sucesso proporcionadas pelo ERA?

As taxas de sucesso do ERA para determinar o estado endometrial receptivo em mulheres com RIF, proporcionando a transferência personalizada do embrião para o útero, são bastante expressivas, bem próximas da totalidade.

No entanto, elas consideram a realização do teste em pacientes com o útero e espessura endometrial normais, embora ele também possa ser realizado em pacientes com endométrio atrófico, cuja espessura nunca atinge 6 mm de forma consistente. Nesse caso, ele apresenta menor precisão.

Por outro lado, o ERA demonstrou aumentar significativamente as chances de gravidez em mulheres acima de 38 anos.

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