Teste genético pré-implantacional

O teste genético pré-implantacional (PGT) é uma técnica complementar à FIV (fertilização in vitro), que possibilita a identificação de embriões sem alterações cromossômicas e genéticas antes de sua transferência ao útero. Existem diferentes métodos: PGT-M, PGT-A e PGT-SR.

Anteriormente chamado diagnóstico genético pré-implantacional (PGD), é fundamental quando há o risco de transmitir um distúrbio genético para os descendentes.

Além do teste genético pré-implantacional (PGT), as opções para evitar que a transmissão ocorra incluem procedimentos como a doação de gametas e embriões.

Este texto explica o funcionamento do teste-genético pré-implantacional, destacando os distúrbios genéticos e cromossômicos que podem ser identificados.

Como o PGT funciona e quais distúrbios identifica?

O PGT é realizado a partir do tratamento com a FIV e pode ser feito por casais ou pessoas solteiras que possuam alguma alteração genética ou anormalidade cromossômica, independentemente de serem ou não inférteis.

Ambos os gametas (óvulos e espermatozoides) são fecundados em laboratório após passarem por uma seleção. O procedimento é realizado com a utilização da FIV clássica, quando são colocados juntos em uma placa de cultura para que a fecundação ocorra de forma natural, ou pela FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), em que um único espermatozoide é injetado dentro do óvulo. O segundo método é o mais indicado atualmente.

São transferidos para o útero apenas os embriões formados que não foram afetados pelo distúrbio.

O PGT-M analisa os genes que podem ser responsáveis por doenças hereditárias, enquanto o PGT-A e o PGT-SR analisam as anormalidades cromossômicas.

Doenças que o PGT-M identifica

A maioria das doenças genéticas é causada por um único gene (doenças monogênicas), que pode ser dominante ou recessivo. As chances de o feto herdar o distúrbio são de cerca de 50% quando ele é dominante e 25% quando é recessivo.

Exemplos de doenças genéticas transmitidas por genes dominantes incluem acondroplasia, desenvolvimento ósseo imperfeito que causa o nanismo e, síndrome de Marfan, transtorno do tecido conjuntivo que causa membros longos e defeitos cardíacos.

Já as principais doenças genéticas transmitidas por genes recessivos são:

Doença falciforme: condição que causa glóbulos vermelhos anormais;

Doença de Huntington (HD): condição em que as células nervosas do cérebro se rompem ao longo do tempo;

Fibrose cística: distúrbio das glândulas, causando excesso de muco nos pulmões, problemas com função do pâncreas e absorção de alimentos;

Doença de Tay-Sachs: degeneração progressiva do sistema nervoso central, mais comum na faixa etária de 5 anos de idade, geralmente fatal;

Doenças relacionadas ao cromossomo X: os distúrbios genéticos ligados ao cromossomo X podem ser dominantes ou recessivos. Entre eles estão a distrofia muscular de Duchenne, que causa perda muscular, e a hemofilia, caracterizada por problemas de coagulação sanguínea.

Anormalidades cromossômicas que o PGT-A e o PGT-SR identificam

As alterações cromossômicas geralmente são herdadas dos pais, embora possam ocorrer sem histórico familiar. O avanço da idade, por exemplo, diminui a qualidade dos gametas e aumenta a possibilidade de desenvolvimento delas.

Elas podem ser numéricas ou estruturais. A numérica, também chamada aneuploidia, surge como resultado de erros na divisão celular meiótica ou mitótica. É a causa mais frequente de aborto espontâneo e falha de implantação do embrião, em casais submetidos ao tratamento de FIV.

É caracterizada pela presença de um número maior ou menor de cromossomos do que o normal, o que pode provocar condições como a síndrome de Down, em que o cromossomo 21 tem três cópias (trissomia 21), ou a síndrome de Turner, que ocorre quando um dos dois cromossomos sexuais não é transferido, deixando um único cromossomo X e um total de 45 cromossomos.

Já os rearranjos cromossômicos estruturais ocorrem como resultado da quebra simultânea de segmentos cromossômicos que, então, se reúnem dentro do mesmo ou de um cromossomo diferente. O portador de um rearranjo cromossômico tem um fenótipo normal, porém apresenta problemas durante a gametogênese, processo por meio do qual se formam os gametas masculinos.

O teste genético pré-implantacional apresenta boas taxas de sucesso gestacional. Para desordens de gene único, tem demostrado o maior percentual de gravidez em comparação com outras indicações, enquanto a utilização ​​para anormalidades cromossômicas apresenta um resultado percentualmente um pouco mais baixo.

Além de identificar essas alterações genéticas ou cromossômicas, entretanto, o PGD é ainda indicado para tipagem de antígeno leucocitário humano (HLA).

O sistema antígeno leucocitário humano (HLA), sigla em inglês para human leukocyte antigen, codifica proteínas de superfície que reconhecem e apresentam antígenos próprios ou externos para o sistema imune adaptativo humano, desempenhando um papel importante na função do sistema imunológico.

Um teste de tipagem de tecido entre doadores e receptores identifica a compatibilidade entre os antígenos de leucócitos humanos (HLA). A equiparação de HLA pode ser utilizada, por exemplo, quando uma família tem uma criança gravemente doente, exigindo o transplante de células-tronco para curar uma doença adquirida, como a leucemia, ou doenças genéticas.

O PGD identifica os embriões que não são afetados pelo distúrbio hereditário e que também sejam compatíveis em HLA com o irmão afetado que necessita de um transplante.

Os embriões identificados são então transferidos para o útero. Caso a gravidez seja bem-sucedida, as células-tronco são coletadas do cordão umbilical e usadas para curar o irmão doente.

Embora as chances de obter um embrião saudável, livre da doença e com HLA compatível não sejam tão expressivas quanto os embriões obtidos nos outros procedimentos, a estratégia tem sido aplicada com sucesso em um número crescente de casos.

Por outro lado, nos casos em que a realização do PGT não é bem-sucedida, há ainda a opção do tratamento de FIV com a utilização de gametas e embriões doados.

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