Transferência de embriões congelados

Entre as técnicas que revolucionaram a reprodução assistida está a criopreservação de gametas e embriões, complementar à FIV (fertilização in vitro). A transferência de embriões congelados (TEC) aumentou as chances para o sucesso da gravidez de mulheres que se submetem ao tratamento.

Atualmente, com o avanço das técnicas de congelamento, os danos ao embrião foram minimizados, tornando-se praticamente inexpressivos. Dessa forma, o freeze-all passou a ser uma opção para os casais principalmente com falhas de implantação por alteração endometrial.

Ou seja, todos os embriões formados em um ciclo, ao invés de serem transferidos a fresco, são transferidos apenas no ciclo seguinte, permitindo maior controle do desenvolvimento endometrial e, consequentemente, do estado de receptividade endometrial adequado para receber o embrião.

A transferência de embriões congelados possibilitou uma redução bastante expressiva da falha de implantação embrionária, condição comum em um percentual significativo de mulheres submetidas à FIV.

Este texto explica como funciona a transferência de embriões congelados, desde a formação do embrião, até o congelamento, transferência e recomendações após a realização do procedimento.

Como funciona a transferência de embriões congelados?

Os embriões são congelados em um ciclo normal de FIV, que inicia com a estimulação ovariana e segue para a coleta dos óvulos e coleta, preparação e seleção dos espermatozoides, considerando critérios de morfologia e motilidade.

Os melhores gametas são então fecundados em laboratório por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), em que cada um dos espermatozoides é injetado em cada óvulo.

Após a fecundação, os embriões podem ser transferidos em dois estágios: D3, também chamado de clivagem, terceiro dia de desenvolvimento, ou blastocisto, entre o quinto e o sexto dia, quando o embrião já possui mais células formadas. Os excedentes que não forem transferidos poderão ser congelados.

Embora atualmente a transferência de embriões congelados seja recomendada para a maioria dos casos, a transferência a fresco ainda permanece uma opção.

Apesar de duas técnicas serem geralmente utilizadas para o congelamento (congelamento lento e vitrificação), a mais adotada pelas clínicas de reprodução assistida é a vitrificação, que prevê um congelamento ultrarrápido, minimizando os danos celulares, inclusive no processo de descongelamento do embrião.

A técnica freeze-all, entretanto, em que todos os embriões formados em um ciclo são congelados e transferidos apenas em um ciclo posterior, proporciona algumas vantagens, que podem aumentar as chances de sucesso da gestação.

A principal delas é a possibilidade de preparar o endométrio para receber o embrião e a realização do teste Era, que analisa os genes relacionados ao estado de receptividade endometrial, permitindo diagnosticar com precisão o ciclo endometrial e a receptividade do endométrio, definindo o melhor momento para implantação.

A criopreservação de embriões é ainda indicada em outras situações:

Além disso, o congelamento de embriões possibilita, ainda, a transferência de um único embrião saudável e previamente selecionado, minimizando, ao mesmo tempo, a incidência de gravidez múltipla.

Procedimento para transferência de embriões congelados

Em um ciclo posterior, após a análise da receptividade endometrial, os embriões são descongelados para ser transferidos em um período conhecido como janela da implantação, no qual o endométrio adquiriu o estado morfológico e funcional adequado para a fixação do embrião.

Após o descongelamento, o procedimento para transferência é semelhante ao de embriões a fresco. Colocados em um cateter, a transferência é feita para o útero guiada por ultrassonografia transvaginal, realizada em ambiente ambulatorial sem a necessidade de anestesia.

Diferentes estudos têm demonstrado que as taxas de sucesso são mais altas na transferência de embriões congelados, quando comparadas à de embriões frescos.

Em 2013, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) publicou uma revisão de três estudos em que foram avaliados cerca de 700 ciclos em mulheres com idade entre 27 e 33 anos e concluiu: a transferência de embriões congelados melhorou significativamente as taxas de gravidez clínica e contínua em pacientes submetidas à FIV.

Além disso, os tratamentos de fertilização que utilizaram embriões congelados ao invés de embriões frescos apresentaram menores incidências de pré-eclâmpsia, uma condição séria relacionada ao aumento da pressão arterial da gestante que pode resultar em aborto espontâneo e risco para mãe.

No Brasil, as regras para o congelamento e transferência de embriões são estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e determinam o número de embriões que poderão ser transferidos de acordo com a idade: para mulheres com até 35 anos 1 ou 2 embriões; para mulheres entre 36 e 39 anos até 3 embriões; e para mulheres com 40 anos ou mais até 4 embriões.

Os embriões criopreservados com três anos ou mais que não forem utilizados para uma gravidez futura poderão ser descartados se for a vontade expressa dos pacientes ou doados para casais ou pessoas inférteis e para o estudo de células-tronco.

Após o procedimento

A mulher é liberada logo após o procedimento e pode retornar às atividades normais, incluindo exercícios físicos e trabalho, embora em alguns casos seja recomendado um repouso de 24 horas.

A medicação com estrogênio e progesterona deverá ser mantida até a 11ª semana de gravidez, para garantir melhor implantação do embrião e evitar aborto espontâneo.

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