Trombofilia e infertilidade: qual a relação?

Trombofilia e infertilidade: qual a relação?

A infertilidade feminina pode ser ocasionada por diversos problemas, como distúrbios de ovulação, danos em órgãos do sistema reprodutor feminino, doenças e o simples e natural avanço da idade. Entre os fatores que levam à esterilidade está a trombofilia, origem de algumas complicações na gestação.

Durante a gravidez, a mulher passa por uma série de alterações em seu organismo, que se prepara para receber o embrião e se desenvolver até depois do parto, momento em que a gestante passa por um considerável sangramento.

No entanto, em mulheres com trombofilia, esse processo é intensificado, o que pode causar problemas diretamente relacionados à infertilidade, como falhas na implantação embrionária e abortos de repetição, que, segundo pesquisas, ocorrem em 40% a 50% dos casos.

Neste texto há mais informações sobre a doença: conceito, sintomas, causas, fatores de risco e sua relação com a infertilidade. Acompanhe o artigo e descubra se você apresenta os sinais e o que pode ser feito a respeito.

O que é trombofilia?

A trombofilia ou hipercoagulação é uma doença que se caracteriza por uma maior suscetibilidade à formação de coágulos de sangue pelo organismo. Este fenômeno já ocorre naturalmente como mecanismo de defesa para evitar hemorragia, mas em mulheres com essa predisposição, o risco de trombose (coágulos no interior das veias ou artérias, não eliminados após cicatrização da lesão) e AVC.

Na maioria das portadoras de trombofilia, não há nenhum sinal da doença, que só costuma ser percebida quando provoca um trombo e aumenta o risco de uma Trombose Venosa Profunda e Embolia Pulmonar.

Nesses casos, a trombofilia deixa de ser assintomática e começa a exibir sintomas, como dor, inchaço e sensação de sensibilidade na perna, geralmente na panturrilha — que também tende a ficar mais quente ao toque —, vermelhidão na parte posterior abaixo do joelho, dor no peito ou nas costas, falta de ar, sensação de tontura e tosse, geralmente seca e possivelmente com a presença de muco e/ou sangue.

Se alguns desses sintomas forem notados, um médico deve ser consultado imediatamente, devido aos riscos da doença à saúde vascular. Após a realização de testes, a trombofilia pode ser diagnosticada e os devidos tratamentos indicados, geralmente com anticoagulantes.

O que causa a trombofilia?

A trombofilia pode ter causas genéticas, herdada de um ou ambos os pais, quando é provocada por uma mutação em fatores de coagulação do sangue ou nos inibidores fisiológicos da coagulação.

A condição, no entanto, pode ser adquirida ao longo do tempo, como consequência da obesidade, de períodos de maior imobilidade, do tabagismo, da utilização de medicamentos hormonais e até por doenças, como neoplasias (tumores), diabetes, pressão alta e colesterol alto, além de fatores naturais, como a gravidez e o envelhecimento, que também aumenta a capacidade de coagulação do organismo.

Outro fator de risco de importante destaque é a Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF), também conhecida como Síndrome de Hughes, doença que faz com que o organismo produza anticorpos que atacam sua própria coagulação sanguínea, levando ao bloqueio da passagem de sangue.

Além dos abortos de repetição que essa situação pode causar, a paciente pode enfrentar falha na implantação embrionária, descolamento prematuro de placenta, pré-eclâmpsia (hipertensão na gestação), prematuridade e óbito fetal.

Por que a trombofilia pode causar infertilidade?

O corpo da gestante se prepara, durante os meses de gestação, para o parto, quando ocorrerá uma perda sangue, e o puerpério (pós-parto), momento no qual os fatores de coagulação aumentam para evitar hemorragias e sangramentos maiores.

Quando a gestante tem trombofilia, o risco para complicações vasculares se intensifica pelas características pró-coagulantes da gravidez e da doença. Se as veias ou artérias passam por um processo de entupimento, devido ao aumento na densidade do sangue, problemas de circulação podem acontecer e impedir a chegada de sangue na placenta.

Esse processo dificulta o desenvolvimento do embrião e da placenta e causa as complicações na gestação citadas anteriormente, mesmo na reprodução assistida (RA). Por isso, é comum que clínicas averiguem a existência do problema nos testes iniciais.

No entanto, mulheres em processo de FIV (fertilização in vitro) podem obter um maior controle da gestação, por meio da administração de anticoagulantes desde a estimulação ovariana, evitando, assim, os riscos de trombose e a transmissão para o bebê.

A trombofilia é uma doença caracteriza por uma maior predisposição de formação de coágulos no sangue, o que pode prejudicar a gestação, período no qual o organismo, naturalmente, já está mais propenso para essa atividade.

Quando tromboses acontecem durante a gravidez, o fluxo sanguíneo, que é muito importante para o desenvolvimento embrionário e da placenta, pode ser interrompido e causar problemas sérios como a falha na implantação, abortos de repetição e pré-eclâmpsia.

A mulher que tem essa patologia, principalmente as que apresentam sintomas, devem procurar um médico imediatamente para cuidar de sua saúde vascular e aumentar as chances de gravidez de sucesso.

Se quiser saber mais sobre diagnóstico e tratamento da doença, confira a seção aqui do site sobre trombofilia.

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