Varicocele

Descrita pela primeira vez em 1736, a varicocele tem como característica a dilatação anormal das veias (processo semelhante às varizes) do cordão espermático (cordão que sustenta os testículos). Elas comprometem a produção e a qualidade dos espermatozoides e, consequentemente, podem afetar a fertilidade, mas podem ser corrigidas cirurgicamente.

Considerada a causa mais comum de infertilidade masculina, entre os efeitos que ela pode provocar está o aumento na temperatura escrotal e intratesticular e, consequentemente, alterações na produção de espermatozoides.

Na maioria das vezes assintomática, a varicocele geralmente se forma durante a puberdade, quando pode causar o desenvolvimento anormal ou encolhimento dos testículos.

Este texto aborda tudo sobre a varicocele: das causas aos tratamentos indicados para corrigir o problema.

O que provoca a varicocele?

As causas da varicocele ainda são desconhecidas. A explicação para a formação dessas varizes sugere que elas se desenvolvem quando as veias internas do cordão espermático, responsável por transportar sangue para os testículos, impedem que ele flua adequadamente. Isso pode ocasionar o alargamento das veias e danos aos testículos.

Ao mesmo tempo, como são armazenados dentro da bolsa escrotal, os testículos mantêm uma temperatura mais baixa do que a do corpo humano, o que favorece a produção de espermatozoides. O aumento da temperatura testicular provocado pela varicocele diminui essa produção, dificultado a concepção.

Estudos também demonstram que homens com varicocele e mais de 30 anos apresentam níveis significativamente mais baixos de testosterona em comparação com jovens. Os baixos níveis observados podem ser motivados por uma disfunção nas células de Leydig, localizadas entre os tubos seminíferos, nos testículos, responsáveis pela produção desse hormônio.

Quais são os sintomas da varicocele?

Mesmo que seja mais comum na puberdade, a varicocele pode ocorrer em qualquer idade. Além de alterações nos testículos, diferentes manifestações de dor muitas vezes compõem o quadro clínico de alguns pacientes. Elas incluem:

Como a varicocele é diagnosticada?

O primeiro procedimento para diagnosticar a varicocele é o exame físico, que irá avaliar alterações na região, como o volume dos testículos, observando se há simetria entre os dois lados. Assimetria ou hipotrofia testicular sugerem danos e podem orientar o tratamento cirúrgico.

Para confirmação do diagnóstico, outros exames também deverão ser realizados. Os principais são:

Ultrassom com doppler: é importante para avaliar a circulação dos vasos sanguíneos e o fluxo de sangue;

Doppler estetoscópio: um ruído característico de refluxo venoso é auscultado quando a manobra de Valsalva é solicitada – expiração forçada do ar com lábios e nariz tampados;

Análise seminal: a análise seminal irá determinar a quantidade espermática. Apesar de o procedimento não ser determinante para diagnosticar infertilidade por varicocele, é importante para indicação terapêutica e acompanhamento do tratamento.

Após a realização dos exames, as varicoceles serão classificadas de acordo com o grau de desenvolvimento:

Esses exames irão descartar ainda a possibilidade de a varicocele ter siso provocada por outras causas, como um tumor que comprime a veia espermática.

Tratamentos indicados para varicocele

Embora nem todas as varicoceles exijam tratamento (são apenas observadas), ele pode ser realizado por embolização ou cirurgia.

Entretanto, o não tratamento e a observação da evolução do quadro é uma opção, apenas se o paciente não atender a nenhum dos critérios seguintes:

Se houver algum critério evidenciado, o tratamento é indicado de acordo com cada caso. O objetivo é ocluir todas as veias espermáticas que drenam o testículo afetado.

A embolização é um procedimento não cirúrgico que exige apenas anestesia local. É realizada por meio de uma pequena incisão na virilha, em que um cateter é introduzido pela veia femoral para fazer um mapeamento venoso e detectar quais são as veias afetadas. Por ele, são injetadas substâncias que ocluem as veias alteradas, impedindo o acúmulo de sangue.

Já a opção cirúrgica inclui a abordagem laparoscópica e cirurgia aberta. A laparoscópica é menos adotada por possuir tempo operatório maior e exigir pelo menos 48 horas de internação. A única vantagem é o fato de a incisão ser menor.

As abordagens cirúrgicas abertas são inguinais ou subinguinais, com ou sem o auxílio de um microscópio cirúrgico.

Porém, a microcirurgia subinguinal, ou varicocelectomia subinguinal assistida por microscópio, é considerada a mais eficaz para correção de varicocele e com menores taxas de complicações.

A utilização do micro-doppler intraoperatório auxilia na identificação da artéria testicular e diminui a lesão arterial. Nessa abordagem, o percentual de risco pós-operatório é inexpressivo, incluindo lesões arteriais e recorrência.

Diferentes estudos indicam um aumento na produção de espermatozoides, na motilidade e nas taxas gerais de gravidez após o tratamento.

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